Do lado dos trabalhadores assustados com a globalização

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11 Mai 2011

O New Labour conseguiu fazer muitas coisas, graças à sua habilidade de atrair os votos de uma ampla parte da classe média. Isso permitiu que o partido utilizasse os maiores impostos sobre a renda provenientes de uma economia em pleno desenvolvimento e melhorar a educação pública, a saúde, os serviços sociais e as aposentadorias.

A análise é do jornalista inglês John Lloyd, publicada no jornal La Repubblica, 11-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois, a economia entrou em recessão, e começaram a surgir as lamentações e as preocupações com o grande fluxo de imigrantes: a classe operária na Grã-Bretanha, como no resto da Europa, sofreu fortes pressões para contrações salariais, enquanto os novos migrantes se dedicavam a ofícios manuais e a serviços, aceitando retribuições mais baixas. Além disso, se ressentia por causa das profundas mudanças que se verificaram em muitas comunidades.

É para resolver preocupações como essas que nasceu o Blue Labour. Ele defende que a classe trabalhadora tem bons motivos para se opor racionalmente a um fluxo considerável de imigrantes, temendo ficar vítima da globalização. O Blue Labour é favorável a um maior controle da imigração, à reindustrialização do país, a reforçar os sindicatos, a trazer novamente o interesse para as exigências dos trabalhadores.

Mais do que qualquer outra coisa, o Blue Labour pretende reconstruir comunidades fortes, porque vê nelas um ponto de força e de apoio para as pessoas que os perderam. Reconstruir a comunidade, retornar ao patriotismo e ao sentimento de orgulho pelo próprio país, infundir um novo significado para o compromisso na política, na esperança de voltar a vencer.