24 Abril 2011
O papa Bento XVI pediu ontem, durante a celebração da Páscoa, que a Europa acolha com generosidade os milhares de imigrantes ilegais que fogem das atuais turbulências na África do Norte.
A notícia é do jornal Folha de S. Paulo, 25-04-2011.
O apelo, feito diante de 100 mil pessoas que lotaram a Praça São Pedro, no Vaticano, surge depois que a entrada de clandestinos vindos principalmente da Tunísia gerou atritos políticos na Europa e sinais de hostilidade de parte da população.
"Que as pessoas de boa vontade abram os seus corações e os recebam, para que as necessidades urgentes de tantos irmãos e irmãs tenham resposta, num espírito de solidariedade", afirmou o papa em sua sexta celebração da Páscoa.
"Que a ajuda venha de todos os lados para aqueles que estão fugindo dos conflitos e para os refugiados de vários países da África que tiveram de deixar tudo o que amavam para trás", disse.
A população da ilha italiana de Lampedusa, situada a 165 km da Tunísia e que tem sido porta de entrada dos clandestinos africanos, protestou várias vezes exigindo mais rigor para impedir a chegada dos imigrantes.
A Itália reclama de ter sido abandonada pelos parceiros da União Europeia (UE), tendo que lidar sozinha com o problema.
O governo italiano concedeu vistos temporários a muitos tunisianos que, em virtude dos acordos de Schengen sobre livre circulação de pessoas, passaram a querer ir à França, atraídas pela familiaridade com a língua -a Tunísia foi colônia francesa até 1956.
Autoridades francesas reagiram fechando sua fronteira a trens italianos nos quais havia imigrantes. Paris cogita agora suspender temporariamente o acordo de Schengen, sob alegação de que há uma "falha sistêmica" nas fronteiras do bloco europeu.
Críticos dizem que a suspensão do acordo Schengen, de 1985, violaria a ideia central da criação da UE.
A disputa sobre como tratar a imigração será o tema central das conversas que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, terá com o premiê italiano, Silvio Berlusconi, amanhã em Roma.
LÍBIA
Bento XVI também pediu que a diplomacia se sobreponha aos combates entre governistas e rebeldes na Líbia, que se arrastam há três meses, para permitir a chegada da ajuda humanitária às populações civis atingidas.
O domingo de Páscoa, quando os cristãos celebram a ressurreição de Cristo depois da crucificação, acontece uma semana antes da beatificação do papa João Paulo II, um evento que deve atrair centenas de milhares de pessoas ao Vaticano (Roma).