18 Abril 2011
Dados coletados por robôs que exploraram o interior dos reatores nucleares da usina de Fukushima indicaram ontem que os níveis de radiação permanecem altos demais para permitir que equipes de trabalho entrem no local para realizar os reparos. Apesar disso, autoridades mantêm o otimismo e acreditam que seguirão o plano para a estabilização da central até o fim do ano.
A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 19-04-2011;
Engenheiros não conseguem assumir o controle da usina nem entrar nos reatores. Os equipamentos tiveram seus sistemas de refrigeração danificados. A empresa que opera a usina, a Tokyo Electric Power (Tepco), espera reduzir os vazamentos em três meses e resfriar os reatores dentro de nove meses.
"O que os robôs podem fazer é limitado. Em algum momento, pessoas precisarão entrar lá", disse um funcionário da Tepco. O porta-voz do governo, Yukio Edano, diz que é impossível prever quando os dezenas de milhares de moradores da região poderão voltar para suas casas. Edano também não respondeu se todos os moradores poderão voltar.
Uma pesquisa publicada no Japão no fim de semana apontou que a maioria dos japoneses é a favor do aumento de impostos para a reconstrução do país, estimada em US$ 300 bilhões, o que torna a tragédia o desastre natural mais caro da história. Quase 70% das pessoas ainda reprovam a reação do governo à crise nuclear e disseram que o primeiro-ministro, Naoto Kan, deveria ser substituído.
Segundo a polícia japonesa, as cidades que tinham mais habitantes idosos foram as mais afetadas pela tragédia. Mais da metade das vítimas tinha mais de 65 anos e a maior parte das mortes foi causada por afogamento.
Até agora, o número de mortes confirmadas é de 13.843. Outras 14.030 pessoas estão desaparecidas. Dos 9.112 mortos que viviam nas províncias de Iwate, Miyagi e Fukushima, as mais atingidas pelo tsunami, 54,8% tinham mais de 65 anos.
Segurança
Segundo a polícia de Miyagi, cerca de 95,8% das vítimas na cidade morreram afogadas. Os números mostram que os desmoronamentos causados pelo terremoto não foram a principal causa da tragédia.
Fumihiko Imamura, especialista em tsunamis da Universidade de Tohoku, afirmou que, com a tragédia, os governos deveriam planejar cidades com zonas costeiras mais seguras para as pessoas da terceira idade, com maior acessibilidade em casos de emergências.