Índios querem R$ 45 bilhões de petrolífera por poluição no Equador

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • ​Economista e jesuíta francês ministra videoconferência nesta terça-feira, 28-04-2026, em evento promovido pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com Instituto Humanitas Unisinos – IHU

    Gaël Giraud no IHU: Reabilitar os bens comuns é uma resposta política, social, jurídica e espiritual às crises ecológicas e das democracias

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

16 Fevereiro 2011

Indígenas da Amazônia equatoriana disseram que vão pleitear mais indenizações da companhia petrolífera Chevron, condenada a pagar US$ 8,6 bilhões (cerca de R$ 14,3 bilhões) por ter poluído a região, numa das mais duras sentenças por crime ambiental já impostas no mundo.

A reportagem é do G1, 16-02-2011.

Moradores dizem que o valor não cobre custos de recuperação e pretendem recorrer nesta semana a um tribunal local. "Não é justo para nós, porque as tribos sofreram muito", disse Justino Piaguaje, um dos 47 autores da ação, queixando-se da sentença emitida na segunda-feira (14) pela corte provincial de Sucumbios. "Nossas famílias morreram e nossos rios se deterioraram".

A indústria petrolífera acompanha com atenção essa batalha judicial, que se desenrola há 17 anos e pode criar uma jurisprudência internacional. Indígenas da etnia secoya alegam sofrer maior incidência de câncer na área poluída. A Chevron nega responsabilidades por danos e diz que a condenação é ilegítima e inexequível.

Os autores da ação pleiteiam US$ 27 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões) em indenizações e cogitam embargar bens da Chevron no exterior. A conclusão do caso pode levar anos e poucos analistas acham que a empresa norte-americana terá de pagar uma indenização tão cedo.

A Chevron acusa o governo do Equador de interferir na decisão judicial a favor dos indígenas. O presidente Rafael Correa defendeu a independência do Judiciário local e disse que esse "foi o mais importante julgamento na história do país".

Segundo a sentença, cerca de US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 9 bilhões) serão destinados à recuperação do solo poluído; US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões) para a melhoria da saúde pública nas áreas afetadas, US$ 800 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) para tratar de pessoas doentes e US$ 600 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para recuperação de recursos hídricos. Outros US$ 860 milhões (cerca de 1,4 bilhão) para gastos com processos e advogados.

Em sua sentença, o juiz Nicolas Zambrano também afirmou que a Chevron teria 15 dias para pedir desculpas pela contaminação causada por poços petrolíferos perfurados há décadas, sob pena de que a indenização seja duplicada. Segundo o magistrado, ambos os lados têm até esta quinta-feira (17) para apresentar recursos.

A Chevron, que teve lucro líquido de US$ 19 bilhões (cerca de R$ 31,6 bilhões) no ano passado não possui patrimônio no Equador e acha improvável que algum dia precise pagar alguma coisa. A empresa pretende impedir a execução da sentença na Justiça norte-americana.