O Papa e Bergoglio analisaram em Roma questões internas da Igreja argentina

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13 Fevereiro 2011

A sucessão do arcebispo de Buenos Aires foi um dos temas centrais da audiência, além das diferenças entre centristas e moderados entre as autoridades eclesiásticas locais.

A reportagem é de Julio Algañaraz e está publicada no jornal Clarín, 11-02-2011. A tradução é do Cepat.

O Papa recebeu nesta quinta-feira o seu principal adversário nas eleições do Conclave no qual foi eleito Papa em 19 de abril de 2005. O cardeal Jorge Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, esteve acompanhado de outros três bispos que formam a Comissão Executiva da Conferência Episcopal Argentina (CEA). Antes se haviam reunido com o secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone. Pesava no ar a derrota no caso da lei de matrimônio homossexual, que parece lançar Bergoglio no ocaso.

Os temas tratados foram vários, mas no centro de tudo está a difícil situação interna da Igreja argentina, as relações "com muitas interferências" nas altas cúpulas da Cúria Romana e o futuro incerto. Em novembro será escolhido um novo presidente da CEA e Bergoglio não poderá ser reeleito. Além disso, em dezembro, o arcebispo de Buenos Aires completará 75 anos e deve renunciar, segundo o Direito Canônico.

O Papa decidirá quando aceitará a renúncia e nomeará um sucessor. Uma questão "maledettamente" delicada em razão do futuro dos equilíbrios de forças entre centristas e conservadores na Conferência Episcopal.

A Cúpula da Igreja, encabeçada pelo cardeal Bergoglio, está mantendo conversas com os chefes dos dicastérios ou "ministérios" da Cúria Romana, o governo central da Igreja dirigido pelo cardeal Bertone como "primeiro ministro" do Papa. Em novembro passado, a assembleia de mais de 100 bispos argentinos resolveu enviar a Cúpula a Roma pela segunda para "tornar mais fluida a relação" com o Vaticano.

Isto quer dizer que as interferências são muitas, que há mãos que manejam fios nas altas esferas, sobretudo na orientação da nomeação de bispos, e que há receios e desilusões que merecem explicações. O cardeal Bergoglio e a corrente centrista do episcopado sente forte o bafo no pescoço do arcebispo de La Plata, monsenhor Héctor Aguer, líder da ala conservadora, que volta e meia dá uma passada por aqui [Roma] para ver os seus amigos bem colocados.

Também para o Vaticano o golpe da lei do casamento gay foi muito forte, porque a Argentina é o 10º país mais católico do mundo e a Santa Sé teme que a onda laicista se propague a outros países da América Latina, onde residem 45% dos católicos do mundo, que reservam sua veneração mais a João Paulo II do que ao atual sucessor.

O ano de 2011 é ano eleitoral na Argentina, o que acrescenta incertezas. O cardeal Bergoglio, que leva operativamente o delicado caso argentino, não quer que surjam outros ataques aos "grandes valores" que não são negociáveis, como insiste diariamente o Papa: aborto, fecundação assistida, formas de eutanásia, liberalização total dos anticoncepcionais e educação sexual nas escolas públicas.

Na medida em que o processo de relativismo, que o Papa detesta, prosseguir em nossa sociedade, impelido pela vitória da lei de matrimônio homossexual, aumentarão os problemas com Roma da corrente de centro e ganharão força os conservadores por trás de Héctor Aguer. Aqui em Roma não faltam aqueles que querem que o arcebispo de La Plata seja o futuro cardeal de Buenos Aires, mesmo que haja algum outro poderoso personagem que também aspire sentar-se perto de San Martín na cátedra da catedral metropolitana.

O cardeal Bergoglio, disseram fontes a este jornal, pegará o avião de volta a Buenos Aires no sábado e chegará ao Aeroporto Internacional de Ezeiza no domingo pela manhã.