Bispos alemães desafiam a recusa do Vaticano de intercomunhão com os protestantes

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

23 Setembro 2020

Os bispos alemães continuam desafiando o Vaticano depois da recusa de uma proposta de intercomunhão católica com os protestantes.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 23-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O veto do Vaticano não foi “um tapa na cara”: algumas críticas estão “errando o alvo”

Algumas das críticas da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) sobre a proposta de hospitalidade eucarística compartilhada são apropriadas, enquanto outras “estão longe do alvo”, disse o presidente dos bispos alemães, dom Georg Bätzing, na terça-feira, 22 de setembro, no início da Assembleia Geral dos Bispos Alemães, em Fulda.

Bätzing, o bispo de Limburg, admitiu que conhece alguns na Igreja que veem o ‘não’ de Roma à intercomunhão como um “tapa na cara”, não apenas dos bispos alemães em geral, mas também para ele pessoalmente, como presidente da Conferência Episcopal e como presidente co-episcopal do Grupo de Estudo Ecumênico de Teólogos Protestantes e Católicos (ÖAK) que elaborou a proposta de intercomunhão, “Juntos na Mesa do Senhor”.

No entanto, Bätzing disse que não vê o veto do Vaticano dessa forma.

Em vez disso, ele disse que o documento da Grupo Ecumênico de setembro de 2019 – que defendia a “hospitalidade eucarística recíproca” entre católicos e protestantes – fazia parte de uma discussão ecumênica mais ampla.

O bispo disse que, em primeiro lugar, cabia ao Grupo responder às preocupações do Vaticano e que, da mesma forma, os bispos alemães estudariam o documento romano em suas discussões na assembleia que ocorrerão até quinta-feira.

No entanto, apesar de reconhecer as “pesadas” objeções do Vaticano à proposta compartilhada de hospitalidade eucarística, Bätzing disse que não via razão para revisar o plano para colocar a proposta em prática no Dia da Igreja Ecumênica da Alemanha, em 2021 em Frankfurt.

Cardeal Koch: “Os bispos não podem classificar a proposta do grupo de trabalho em uma posição superior à carta do CDF”

No domingo, o prefeito para a Doutrina da Fé, o cardeal Luis Ladaria, e o secretário Giacomo Morandi escreveram uma carta de 57 páginas aos bispos alemães expondo uma série de objeções teológicas à proposta de intercomunhão.

A CDF advertiu que “a questão da unidade da Eucaristia e da Igreja, na qual a Eucaristia pressupõe e realiza a unidade com a comunhão da Igreja e sua fé com o Papa e os bispos, é subestimada” no documento.

As autoridades do Vaticano também sinalizaram que “as diferenças doutrinárias” entre católicos e protestantes “ainda são tão importantes que atualmente excluem a participação recíproca na Ceia do Senhor e na Eucaristia”.

“O documento não pode, portanto, servir de guia para uma decisão individual de consciência sobre a abordagem da Eucaristia”, escreveram Ladaria e Morandi, advertindo também que “uma abertura da Igreja Católica à comunhão da ceia eucarística [com os protestantes]… abriria necessariamente novas lacunas no diálogo ecumênico com as Igrejas ortodoxas, não só na Alemanha”.

Antes do encontro dos bispos alemães em Fulda, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o cardeal Kurt Koch, advertiu os bispos alemães para prosseguirem sozinhos, como Igreja nacional, na questão da comunhão compartilhada após a carta da CDF.

“Se os bispos alemães classificassem tal carta da Congregação para a Doutrina da Fé menos do que um documento de um grupo de trabalho ecumênico, então algo estaria errado na hierarquia de critérios entre os bispos”, advertiu Koch.

O cardeal – que esteve envolvido na redação da carta da CDF – disse que o corpo doutrinário do Vaticano enviou a missiva para coincidir com a assembleia plenária dos bispos alemães, para lembrar ao episcopado do país que não tinham autoridade para decidir por si sobre assuntos tão importantes da Igreja universal, como é a Eucaristia compartilhada.

Teólogo defende o progresso ecumênico

Por sua vez, a teóloga Dorothea Sattler – coautora do documento do Grupo Ecumênico ÖAK e chefe do Instituto Ecumênico da Faculdade de Teologia Católica da Universidade de Münster – defendeu a proposta de intercomunhão e rejeitou a acusação da CDF de que o grupo havia separado Cristo da Igreja.

Com relação ao ecumenismo “não podemos começar tudo de novo todas as vezes; já existem tantos estudos que não são reconhecidos”, acrescentou Sattler, sublinhando o fato à luz das objeções do Vaticano “certamente estamos prontos para examinar nosso artigo teologicamente e desenvolvê-lo mais, mas apenas se houver pelo menos a perspectiva que algo vai mudar na prática”.

Leia mais