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08 Novembro 2006

Eu creio que deslizamos para uma sociedade de segurança: uma sociedade onde será preciso cobrir-se para o futuro a qualquer preço, tomar hoje as decisões para prevenir o que poderia acontecer amanhã. Se os políticos ouvirem essas sirenes, se eles refutarem qualquer idéia de fatalidade, eles escolherão a solução da facilidade, e também da segurança para si mesmos: eles terão tomado "todas as medidas possíveis". Mesmo se a idéia de querer prever e controlar tudo não faça, evidentemente, sentido. As novas tecnologias podem acelerar esta tendência do controle. No futuro, os sistemas RFID [Radio Frequency Identification ou Identificação por Radiofreqüência] permitirão localizar um carro simplesmente porque ele está equipado com determinados pneus. Ele poderá, dessa maneira, ser bloqueado à distância. As tecnologias existem, a questão é saber o que os políticos vão querer colocar em prática. Na cidade de Middlesbrough, no Reino Unido, câmeras falantes acabam de ser instalados e chamam à distância os autores de infrações mesmo benignas. Portanto, nós caminhamos para uma sociedade de controle, mas também de autocontrole: as operações militares e a instalação generalizada de câmeras impelem as pessoas a se refrearem. Isso pode, finalmente, afetar as capacidades criativas da nossa sociedade.

(cfr. notícia do dia 8-11-06, desta página).