Vaticano: nasce o Comitê de Investimentos de Capitais

Palácio do Governo do Vaticano (Fonte: Wikimedia Commons)

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09 Junho 2022

 

O novo órgão está previsto no texto da reforma da Cúria estabelecida pela Constituição "Praedicate Evangelium". Sua tarefa é garantir a natureza ética das operações nesse campo.

 

A reportagem é de Gianni Cardinale, publicada por Avvenire, 08-06-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé, na seção “renúncias e nomeações”, informou ontem que “foi instituído o Comitê de Investimentos, previsto no art. 227 da Constituição Apostólica Praedicate Evangelium”. A nota especifica que o órgão é presidido pelo cardeal estadunidense Kevin Joseph Farrell, "prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida", e é composto pelos seguintes membros: Jean Pierre Casey, fundador e CEO da RegHedge (Grã-Bretanha); Giovanni Christian Michael Gay, diretor administrativo da Union Investment Privatfonds GmbH (Alemanha); David Harris, gerente de portfólio da Skagen Funds (Noruega); John J. Zona, gerente de investimentos do Boston College (EUA).

 

O VaticanNews, ao dar a notícia, acrescenta que Casey também é "coordenador para o Reino Unido da Fundação Centesimus Annus pro Pontifice" e que Harris é "gestor de portfólio e sócio da Skagen Funds, com vasta experiência em mercados de ações globais e investimentos sustentáveis".

 

De acordo com o primeiro parágrafo do artigo 227 da Constituição Apostólica que define a nova arquitetura da Cúria Romana, a Comissão de Investimentos "é responsável por garantir a natureza ética dos investimentos de capitais da Santa Sé de acordo com a doutrina social da Igreja e, ao mesmo tempo, a sua rentabilidade, adequação e risco”. O segundo parágrafo prevê, então, que o Comitê "é composto, de acordo com seu Estatuto (ainda não publicado, ndr), por membros e profissionais de alto nível nomeados por cinco anos pelo Romano Pontífice", e é "presidido por um presidente, coadjuvado por um secretário (não indicado no boletim de ontem, ndr)".

 

O Comitê é o último dos seis órgãos econômicos previstos pela Praedicate Evangelium. Os outros são o Conselho da Economia, a Secretaria da Economia, a Apsa, o Gabinete do Auditor Geral e a Comissão para assuntos reservados.

 

O anúncio de ontem, ainda que com um insólito estilo impessoal em que não é explicitado que se trata de nomeações pontifícias, é a primeira providência oficial e pública tomada em relação à Cúria Romana após a entrada em vigor, no domingo, da nova Constituição apostólica.

 

O site do Vaticano desde segunda-feira já apresenta a Cúria assim como configurada pela Praedicate Evangelium, mas ainda não houve anúncios de nomeações ou confirmações nos cargos principais dos Dicastérios do Vaticano. Ontem, no entanto, foi certificado que o Cardeal Farrell (75 anos em setembro) continua a ocupar o cargo de prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (mas em 2019 ele também foi nomeado Camerlengo da Santa Igreja Romana). Assim como na segunda-feira, sendo recebido em audiência pelo Papa em seu novo cargo, foi de fato confirmada a liderança da antiga Congregação - agora Dicastério - para o culto divino e a disciplina dos Sacramentos.

 

Também ontem, o IOR divulgou o balanço do ano passado. Em síntese, no exercício de 2021, o Instituto “em coerência com o plano estratégico” obteve um lucro líquido de 18,1 milhões de euros, com margem de lucro + 15%, + 22% em comissões líquidas, + 4% de património gerido. Um comunicado do IOR especifica que o balanço foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Superintendência e, conforme o Estatuto, enviado à Comissão cardinalícia, que por sua vez, "exceto as exigências de capitalização do Instituto", deliberou "com determinação própria sobre a devolução dos lucros".

 

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