O silêncio amazônico lateja a consciência ocidental

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • A nova desordem mundial. Destaques da Semana no IHUCast

    LER MAIS
  • Evento é promovido pela  Comissão para Ecologia Integral e Mineração (CEEM), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e o Instituto Humanitas Unisinos - IHU

    Miguel Nicolelis e Gäel Giraud no Ciclo de Estudos – Ecologia Integral em tempos de colapso ambiental. Profecia, resistência e propostas pastorais

    LER MAIS
  • Cordeiro rebelde de Deus. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Abril 2022

 

"A Amazônia é fêmea independente e guerreira, além de ser indiferente à bravura do patriarcal moderno anacrônico que se corrói com medo de si mesmo e, sem alternativa, agride, mata, e grita a sua vaidade vazia sem eco que venceu a morte sem perceber que atacando a fêmea, elimina a gestora de vidas", escreve José Dalvo Santiago da Cruz, doutor em linguística, mestre em Educação, especialista em Antropologia na Amazônia e graduado em Filosofia.

 

Eis o artigo.

 

A consciência é instrumento histórico que empreita contra a estrutura axiomática da natureza, característica fundamental ocidental desde o momento em que a racionalidade dialética paradoxal se deparou com a narração mítica despretensiosa acrítica fluente no compasso da imanência existencial.

 

A foto que inspira este texto insere o leitor na cena silenciosa tropical lhe mostrando a exuberância e a dimensão horizontal de uma ontologia inefável e intangível à racionalidade ocidental curiosa e solitária que empreita impulsivamente de quem depende: a Amazônia que irriga regiões alhures e alimenta material e empaticamente o emocional do ser ocidental consciente de sua solidão nesta existência.

 

Baixo rio Amazonas, 2022 (Foto: Adalmir Chíxaro, enviada pelo autor)

 

A relação do racional consciente ocidental com a floresta tropical é uma questão de incompatibilidade ontológica porque as lógicas tropicais da fauna e da flora são orquestradas nas narrações míticas dos saberes nativos do lugar como expressão das entidades maternas do lugar não somente do aspecto geográfico, mas, sobretudo, no lugar como espaço de racionalidades dinamizadas numa mesma physis constituída de materialidade e de imaterialidade.

 

Nos trópicos, o racional ocidental age impulsivamente no individualismo ideológico genuinamente moderno de pretensões antropocêntricas ao ritmo de uma compulsão numa necessidade quase imperiosa de se evitar, sublimando-se enfeitiçado no feixe de luz do eldorado como ideal contínuo e inalcançável como propósito fundamental da ideia de ocidentalidade enroscada na teia da ilusão moderna.

 

A Amazônia é fêmea independente e guerreira, além de ser indiferente à bravura do patriarcal moderno anacrônico que se corrói com medo de si mesmo e, sem alternativa, agride, mata, e grita a sua vaidade vazia sem eco que venceu a morte sem perceber que atacando a fêmea, elimina a gestora de vidas.

 

Leia mais