Abdelaziz Hammaoui, Imam e o teólogo muçulmano: “Não é o pobre quem deve sentir vergonha”

Operação policial na Cracolândia, em São Paulo. Foto: Governo de São Paulo

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17 Outubro 2020

Já faz 33 anos, em 17 de outubro de 1987, o padre Joseph Wresinski – uma das primeiras pessoas que pôs em evidência o vínculo direto entre os direitos humanos e a extrema-pobreza – fez um chamado para lutar contra a Pobreza Extrema, animando a comemorar o Dia Internacional para Superação da Pobreza Extrema. Cinco anos depois, a Assembleia Geral das Nações Unidas, inspirada precisamente nesse chamado, declarou o dia 17 de outubro como o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

A entrevista é de Vicente Luis García Corres Txenti, publicado por Religión Digital, 14-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Neste ano de 2020 a pandemia está agravando ainda mais esta pobreza, e condicionou a vida de todos. Evitar as grandes concentrações são hoje um gesto de respeito e de responsabilidade para com os demais. Por isso, o coletivo inter-religioso de Vitoria-Gasteiz, que há muitos anos faz eco desta Jornada Mundial, pensou em fazer algo que possa chegar por meio das redes sociais, e que permaneça por vários dias.

A ideia consiste em uma série de entrevistas com pessoas de perfis diferentes, porém que se unem em um detalhe: a empatia com os mais necessitados, os excluídos, os mais pobres entre os pobres.

Abdelaziz Hammaoui é marroquino de nascimento e mora na Espanha há 20 anos. Conta com uma ampla formação acadêmica, licenciado em Ciências Islâmicas (Teologia Islâmica) pela Universidade Ouzai no Líbano, licenciado em Sociologia pela UNED e mestre em coaching e gestão do talento.

Durante quatro anos, até 2016, foi presidente do Centro Cultural Islâmico de Valencia. Foi professor da Cátedra das 3 Religiões da Universidade de Valencia por dez anos. E ainda é membro-fundador de várias comunidades islâmicas na Espanha e de diálogo inter-religioso, Imám em várias mesquitas da Espanha (atualmente na mesquita da Vega, em Granada), assessor e formador em várias entidades islâmicas na Espanha e Europa. Foi Prêmio Nacional de Juventude (categoria comunicação intercultural), em 2013.

Na atualidade atua como membro da Mesa Interconfessional de Melilla, responsável pela formação na Junta Islâmica de Melilla, membro da equipe de pesquisa “Islã e cidadania” na Universidade de Loyola Andaluzia, e membro da Cátedra Andaluza do Diálogo Inter-religioso. E durante todos estes anos colaborou com vários meios de comunicação: Melilla TV, TVE, Antena 3, La Sexta e Levante TV, entre outros.

Confira o vídeo e a transcrição de alguns dos destaques da entrevista

Frases destacadas

“Um mundo em que há muita pobreza significa que é um mundo o qual nós não estamos gerindo bem os seus recursos”.

“Todas as pessoas que atuam pelo bem dos demais são, em certo modo, uma manifestação de Deus”.

“Em nossa sociedade ser pobre tornou-se um delito”.

“A pobreza não é um problema dos pobres, mas sim de toda a sociedade”.

“Deveríamos nos envergonhar que haja pobreza em nossos bairros, em nossas cidades. Não é o pobre que tem que sentir vergonha”.

“As religiões têm uma responsabilidade enorme para implementar os valores que deveriam reger em uma sociedade humana sã e coesa”.

“Os verdadeiros heróis são os que não buscam uma selfie quando ajudam os demais”.

“Há uma tentativa de marginalizar as religiões da sociedade. De superdimensionar os erros cometidos por pessoas e instituições. E um empenho por atribuir esses erros à própria religião”.

“Os líderes religiosos têm que fazer um exercício contínuo de autocrítica”.

“As instituições religiosas têm que adaptar seu discurso aos novos tempos”.

“As religiões têm que se aferrar a seus valores e tomar um papel ativo na luta social, sem medos, porém sem atuar como um partido político”.

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