Bilhões de dólares para os exércitos. O mundo está cada vez mais armado

Soldados russos marcham durante a parada militar do Dia da Vitória, na Praça Vermelha, em Moscou. | Foto: Agência Brasil

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29 Abril 2020

Dois trilhões de dólares para matar, mas para curar os doentes por coronavírus, as terapias intensivas e os dispositivos são insuficientes. Inclusive chegando a escolhas dramáticas sobre quais os pacientes que vale a pena salvar. De acordo com o novo relatório Sipri, em 2019, os países gastaram US $ 1,917 bilhões de dólares para os exércitos. No pleno da pandemia de Covid-19, nos descobrimos armados até os dentes, mas sem as ferramentas necessárias para se defender contra um inimigo real que está causando um massacre. E a sociedade civil, durante as Jornadas de Ação Global sobre Despesas Militares, está pedindo para desviar 10% dos orçamentos dos exércitos para despesas sociais e de saúde. Na Itália, em particular, as ONGs lançam uma proposta ao governo: uma moratória em 2020 sobre os gastos em novos armamentos, economizados 6 bilhões de euros, sem afetar as despesas atuais. O relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo é relançado como ponto alto das iniciativas no mundo da Global Campaign on Military Spending (Gcoms), promovida pelo International Peace Bureau (Ipb) e relançada no país pela Rede Italiana para o Desarmamento, Rede da Paz e Sbilanciamoci!

A reportagem é de Luca Liverani, publicada por Avvenire, 28-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Portanto, em 2019, houve um aumento de 3,6% em relação a 2018, um valor recorde de 259 dólares por habitante do planeta. É o aumento mais conspícuo de toda a década. A maior despesa foi dos Estados Unidos (+ 5,3%), com 732 bilhões de dólares, 38% do total. Atrás, a China com 261 bilhões (+ 5,1%), seguida pela Índia. Imediatamente atrás a Rússia e a Arábia Saudita. Cinco países representando mais de 60% do total. A Itália está entre os 15 primeiros, nona entre os exportadores. "O mundo está engajado em uma corrida armamentista em benefício de poucos - afirmam as ONGs italianas - que corre o risco de nos levar a uma catástrofe e é uma indicação do enorme poder das indústrias do setor da defesa". No Oriente Médio "as trágicas consequências são muito evidentes".

Somente o orçamento da OTAN "atinge 1.035 bilhões de dólares, 54% do total".

"Tudo isso enquanto a OMS, que com todas as suas limitações é a única tentativa global de responder às crises médico-sanitárias, tem um orçamento bienal de cerca de 4,5 bilhões de dólares", destaca o porta-voz da Sbilanciamoci! Giulio Marcon, que representa pouco mais de 2 bilhões por ano, "principalmente contribuições voluntárias de estados e privados". O orçamento da OMS "anualmente é de 0,11% do que os governos gastam nas forças armadas". É desconcertante a comparação com a Ajuda pública ao desenvolvimento dos países industrializados: "São 152,8 bilhões de dólares, 0,3% de seu PIB e menos de 8% do gasto militar", explica Sergio Bassoli, da Rede da Paz. A Itália não é exceção. Segundo o observatório, os gastos militares para 2020 atingem 26,3 bilhões de euros, mais 6% (um e meio) em relação ao orçamento de 2019. "Na previsão para 2020 - destaca Francesco Vignarca, coordenador da Rede Desarmamento - quase 5,9 mil milhões de euros destinam-se à compra de novos sistemas de armas”. Portanto, "se não é concebível interromper os programas já financiados pela Lei do Orçamento de 2019, certamente é possível intervir nas próximas decisões orçamentárias do Estado. É concretamente possível zerar por um ano os fundos para novas armas junto aos ministérios da Defesa e Desenvolvimento Econômico e não iniciar a chamada "Lei Terrestre" exigida pelo Exército. Mais de 6 bilhões poupados."

"O International Peace Bureau, juntamente com os parceiros da Gcoms, relança o apelo para reduzir essas despesas em pelo menos 10% - ressalta Lisa Clark, copresidente internacional do Ipb e vice-presidente de Beati o Costruttori di Pace - para movimentar fundos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Agenda 2030 das Nações Unidas”. Da maioria, um sinal: o senador Gianluca Ferrara (M5s), em um pedido ao ministério da defesa assinado por 50 colegas de partido, solicita estornar um bilhão do programa de compras dos F35 para ser redirecionado à saúde militar. Mas também para avaliar "a oportunidade de redimensionar um programa contra o qual o M5s sempre se posicionou".

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