Petrobras tenta conter maior greve desde 1995 com oferta de dinheiro para quem não aderir a paralisação

Em greve desde primeiro de fevereiro, os petroleiros intensificam a pressão para que a direção da Petrobrás atenda a pauta da categoria (Foto: FUP | Fotos Públicas)

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18 Fevereiro 2020

Enquanto a paralisação dos petroleiros chega a seu 18º dia e já reúne 21 mil funcionários em pelo menos 120 unidades da Petrobras, a empresa tenta conter a greve com pagamentos "aos que estão atuando para a continuidade das atividades da companhia".

A reportagem é de Ricardo Senra, publicada por BBC Brasil, 18-02-2020.

Em e-mail interno obtido pela BBC News Brasil, a companhia anunciou uma antecipação do pagamento do prêmio por performance dos funcionários - que substitui o pagamento de participação nos lucros da empresa, extinto desde o ano passado.

"Em reconhecimento aos empregados que têm trabalhado para garantir a realização das atividades normais da companhia desde 1º de fevereiro, a Petrobras decidiu antecipar parte do pagamento do Prêmio por Performance (PPP) 2019", diz o comunicado interno.

No comunicado, a petroleira promete pagar 30% do valor total prometido pelo PPP a cada funcionário no dia 28 de fevereiro - três meses antes do previsto.

"O pagamento ocorrerá no dia 28 de fevereiro e um contracheque específico estará disponível no próximo dia 22. A quitação do PPP 2019 a todos os empregados elegíveis será paga no dia 29 de maio de 2020, após a deliberação da Assembleia Geral Ordinária, de acordo com as regras do programa e após a avaliação de cumprimento de metas e desempenho individual", afirma a empresa na mensagem interna.

Procurada pela reportagem, a Petrobras confirmou o anúncio do adiantamento, mas não quis informar quanto dinheiro a empresa deve gastar com os pagamentos.

A maior greve da Petrobras desde 1995 - que durou 32 dias - vem sendo marcada por uma intensa disputa de narrativas entre a empresa e os grevistas.

O ponto de partida da greve, segundo os sindicatos, foi o fechamento de uma fábrica de fertilizantes no Paraná, com a demissão de 396 funcionários diretos e 600 terceirizados.

Guerra de versões

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), estão paralisadas 58 plataformas, 11 refinarias, 24 terminais, 8 campos terrestres, 8 termelétricas, 3 unidades de tratamento de gás, uma usina de biocombustível, uma fábrica de fertilizantes, uma fábrica de lubrificantes, uma usina de processamento de xisto, duas unidades industriais e três bases administrativas.

A empresa, por outro lado, anunciou a contratação emergencial de pessoal durante a greve e disse que "as unidades estão operando nas condições adequadas, com reforço de equipes de contingência quando necessário, e não há impactos na produção até o momento.diz que não houve impactos na produção".

Nesta segunda, o ministro Ives Gandra, do Tribunal Superior do Trabalho, decretou que a greve é ilegal porque teria "motivação política, e desrespeita ostensivamente a lei de greve e as ordens judiciais de atendimento às necessidades inadiáveis da população em seus percentuais mínimos de manutenção de trabalhadores em atividade".

Em nota, a Petrobras afirma que "já notificou as entidades sindicais da decisão e aguarda que todos os empregados retornem às suas atribuições imediatamente".

Os sindicatos, por outro lado, criticam a "decisão monocrática" do ministro Gandra e afirmam que vão recorrer à decisão.

"A orientação é que os petroleiros mantenham a greve e sigam as recomendações dos sindicatos em relação às tentativas de intimidação e assédio dos gestores da Petrobras", diz a Federação Única dos Petroleiros."

A íntegra da reportagem pode ser lida aqui.

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