Francisco e a invocação a Deus aprendida com a avó

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24 Novembro 2017

Páter hemon. Simone Weil recitava isso todas as manhãs, no grego original. “Esta oração contém todas as perguntas possíveis. Não é possível conceber uma só que não esteja encerrada nela.” No entanto, explica Francisco, “é preciso coragem para rezar o Pai-Nosso”. Em um mundo “doente de orfandade”, as palavras transmitidas por Jesus aos discípulos (“Senhor, ensine-nos a rezar”) mostram um Deus que se deixa chamar de “tu” e de “papai”.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 23-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O pontífice falou a esse respeito com o Pe. Marco Pozza, teólogo e capelão do cárcere de Pádua, um diálogo, versículo a versículo, que o canal Tv2000 começou a transmitir todas as semanas e agora é publicado por inteiro no livro Quando pregate dite Padre nostro [Quando rezarem digam Pai nosso], com as reflexões inéditas de Francisco alternadas com as dos Ângelus e das audiências.

É preciso coragem, repete o papa. “Eu digo: comecem a dizer ‘papai’ e a acreditar verdadeiramente que Deus é o Pai que me acompanha, me perdoa, me dá o pão, está atento a tudo o que eu peço, me veste ainda melhor do que as flores do campo. Crer também é um grande risco: e se não for verdade?”

O Pai-Nosso diz o essencial. Foi a avó que o ensinou ao pequeno Bergoglio. “Ele me dá segurança”, conta. “Eu tenho um pai diante do qual eu sempre me sinto uma criança. Um pai que te acompanha, te espera”. O fato de que ele está “nos céus” indica onipotência, não distância. Santificar o seu nome significa ser coerente, e o nome é misericórdia.

Uma idosa que queria se confessar, lembra o papa, lhe disse: “Se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria”. Assim, “o protagonista da história é o mendicante”, material e espiritual. “Dizer ‘venha o vosso reino’ é mendigar.”

A sua vontade é que “nada se perca”. O pão de cada dia, a remissão das dívidas. A dureza dos doutores da lei está no fato de se sentirem justos. “Você poderá perdoar se teve a graça de se sentir perdoado.”

Daí as reflexões vertiginosas sobre o destino de Judas e o mal. Nunca é Deus que nos tenta. Aquele “indurci” [verbo em italiano usado no Pai-Nosso na frase em português “não nos deixeis cair em tentação”] é “uma tradução que não é boa”, diz Francisco. Na última versão da Conferência Episcopal Italiana, afirma-se “não nos abandoneis”. O sentido é: “Quando Satanás nos induz à tentação, você, por favor, me dê a mão, me dê a sua mão”.

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