Itália organiza jornada de estudos sobre diaconato feminino

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01 Novembro 2016

Mais de 150 pessoas, provenientes de toda a Itália, participaram da jornada de estudo sobre "Mulheres diáconos. Um ministério im-possível?", organizado em Vicenza, no dia 29 de outubro, pela Pia Società San Gaetano, pela Coordenação das Teólogas Italianas, pelo Centro de Documentação e Estudos" Presenza Donna" das irmãs ursulinas e pela Comunità del Diaconato.

A nota é do blog Come Se Non, 31-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A iniciativa tinha o objetivo de contribuir para a reflexão sobre o papel da mulher na Igreja e, acima de tudo, sobre a possibilidade de restaurar o diaconato feminino, objeto, este último, dos trabalhos da Comissão de 12 especialistas recentemente instituída pelo Papa Francisco.

Depois da saudação do Pe. Venancio Gasparoni, superior-geral da Pia Società San Gaetano, que recordou como, no caminho da família religiosa fundada pelo Pe. Ottorino Zanon, o nascimento do ramo feminino tinha levado a pensar na possibilidade de uma ordenação delas assim que a Igreja tivesse restaurado o diaconato das mulheres, o encontro teve o seu ponto central nas três conferências de recorte histórico, teológico e pastoral.

Na primeira, a teóloga Moira Scimmi refez, à luz das fontes escriturais e dos testemunhos das comunidades cristãs dos primeiros séculos, a evolução histórica da presença das "diáconas", tentando identificar suas formas de instituição, papel eclesial e funções.

Depois, Serena Noceti, eclesióloga e vice-presidente da Associação Teológica Italiana (Ati), reconstruiu o debate sobre o diaconato durante o Concílio Vaticano II e no processo de recepção dos seus documentos, evidenciando a necessidade de recolocar essa "figura ministerial esquecida" no horizonte de uma reconsideração teológica abrangente do ministério ordenado a partir das relações com o sujeito "nós" eclesial.

Por fim, o Pe. Luca Garbinetto, pastoralista e presbítero da Pia Società San Gaetano, partindo da constatação do crescimento numérico dos diáconos, mas também de um perfil pastoral deles ainda não totalmente definido, propôs alguns possíveis espaços para o diaconato feminino: uma atitude de ternura, uma atenção às periferias da existência, uma acolhida da diversidade, uma capacidade de amadurecer aquilo que, no outro, já está em germe, no marco de uma ênfase posta na dimensão do serviço.

A tarde foi aberta por Andrea Grillo, liturgista e professor de Teologia dos Sacramentos no Pontifício Ateneu Sant’Anselmo, que discutiu o anacronismo de uma aplicação literal da exclusão das mulheres do ministério ordenado fundada por São Tomás sobre a sua sujeição na sociedade medieval.

Depois, Enzo Petrolino, diácono casado da Diocese de Reggio Calabria-Bona e presidente da Comunità del Diaconato, destacou a contradição entre o desejo da promoção da mulher na sociedade formulado pela Igreja e a sua manutenção em condições de inferioridade eclesial.

O debate, coordenado por Cristina Simonelli, patróloga e presidente da Coordenação das Teólogas Italianas, aprofundou aspectos teóricos e práticos da questão, da relação entre presbiterado e diaconato, à relação entre ministério diaconal e profissão de trabalho.

Nas conclusões, Simonelli, além de destacar a convergência entre instituições diferentes na promoção da jornada, afirmou que a instituição da comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres por parte do Papa Francisco criou um novo clima, em que a pesquisa, a reflexão e a discussão eclesiais podem se desenvolver livremente, como parte de uma reformulação de toda a teologia do ministério ordenado, abordando as questões do poder, da autoridade e do serviço na Igreja.

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