Agricultura de baixo carbono é caminho para evitar altas temperaturas

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11 Abril 2016

Em um cenário de alta emissão de gases do efeito estufa, sem a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o Brasil corre o risco de sofrer um aquecimento superior a 4º Celsius antes do fim deste século. Para a agricultura, essa projeção significa sérios impactos sobre a produção de alimentos, limitando a área de cultivo de diversas culturas, como o arroz e o feijão. “O caminho para evitarmos um cenário negativo no setor agrícola está claro: é preciso diminuir as emissões e, para isso, a agricultura de baixo carbono é essencial”, defende Eduardo Assad, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A reportagem épublicada por Observatório ABC, 08-04-2016.

Com o objetivo de mapear cenários com aumento extremo de temperatura no país, o estudo “Riscos de Mudanças Climáticas no Brasil e Limites à Adaptação”, realizado por pesquisadores brasileiros com o apoio da Embaixada Britânica no Brasil, avalia quais seriam os impactos das mudanças climáticas em setores chaves como a biodiversidade e a agricultura e traz luz sobre os caminhos e soluções para os desafios.

“Os dois pontos mais importantes para se evitar os riscos na agricultura estão no campo do manejo sustentável, com a redução das emissões por meio da implantação de práticas de baixa emissão de carbono e a potencialização de políticas públicas como o Plano ABC, e no campo da adaptação, onde já há avanços com tecnologia genética e busca por produtos adaptados”, destacou Assad. O pesquisador da Embrapa coordenou o mapeamento do que aconteceria com as principais culturas agrícolas em áreas de baixo ou alto ao risco climático.

De acordo com o estudo, um aquecimento igual ou superior a 4º C pode gerar migração da produção agrícola e restrições de produção em quase todo território nacional. A soja pode chegar a uma perda de até 81% nas áreas de baixo risco. Em outro cenário, a situação do feijão pode chegar a perdas de 57%. No caso do arroz, a perda de área pode chegar a mais de 13%. Em termos nacionais, a tendência é que as lavouras migrem para o norte do Estado de Mato Grosso, o que já está acontecendo.

Mais tecnologia

O Acordo de Paris, aprovado ao final da 21ª Conferência do Clima, em dezembro de 2015, determina que a temperatura média do planeta neste século deve se manter abaixo dos 2º Celsius, com relação aos níveis pré-Revolução Industrial. Para isso, cada país signatário deve adotar estratégias que reduzam suas emissões nacionais.

O Brasil se comprometeu em reduzir suas emissões totais de gases do efeito estufa em 37% até 2025, chegando à redução de 43% até 2030. No setor agropecuário, as metas brasileiras incluem a restauração de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o incremento de cinco milhões de hectares de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) até 2030. “Para que a gente cumpra a meta de redução estabelecida durante a COP-21, será inevitável acelerar a agricultura de baixo carbono no Brasil. No campo da adaptação, podemos diminuir os insumos externos e fertilizantes, que impulsionam o alto nível de emissões”, observou Assad.

O estudo aponta que culturas com alta tolerância à seca e deficiência hídrica serão lançadas no mercado e sistemas de produção mais equilibrados em manutenção da água no solo e sequestro de carbono serão adotados. Isso poderá minimizar os efeitos do aquecimento global. A adoção de tecnologias como a fixação biológica de nitrogênio também será favorável para o Brasil no campo da adaptação. “Estamos bem avançados da adoção da FBN para o cultivo da soja e do milho”, disse o pesquisador.

Para Assad, ainda há muito chão pela frente quanto ao desafio de atingir o máximo de produtividade na agricultura brasileira. Com novos indicadores sobre as consequências das mudanças climáticas para a economia brasileira, porém, a ideia é influenciar a formulação de políticas que deem prioridade a mitigação das emissões. O estudo reforça que as mudanças climáticas precisam ser compreendidas pelos formuladores de políticas como uma questão de gestão de riscos.

Estudo na íntegra