Escutar e seguir a Jesus

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19 Abril 2013

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 10, 27-30, que corresponde ao 4º Domingo de Páscoa, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Era inverno. Jesus passeava pelo pórtico de Salomão, uma das galerias ao ar livre que rodeavam a grande explanada do Templo. Este pórtico, em concreto, era um lugar muito frequentado pelas pessoas, pois, ao que parece, estava protegido contra o vento por uma muralha.

De repente, um grupo de judeus junta-se à volta de Jesus. O diálogo é tenso. Os judeus perseguem-no com preguntas. Jesus critica-os porque não aceitam a sua mensagem nem sua atuação. Diz-lhes: “vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas” (Jo 10,26). Que significa esta metáfora?

Jesus é muito claro: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem. Eu dou a elas vida eterna” (Jo 10, 27-28a). Jesus não força ninguém. Ele apenas chama. A decisão de segui-lo depende de cada um de nós. Só se o escutarmos e o seguirmos, estabeleceremos com Jesus essa relação que leva à vida eterna.

Nada há tão decisivo para ser cristão como tomar a decisão de viver como seguidores de Jesus. O grande risco dos cristãos foi sempre pretender sê-lo, sem seguir a Jesus. De fato, muitos dos que se foram afastando das nossas comunidades são pessoas a quem ninguém ajudou a tomar a decisão de viver seguindo os seus passos.

No entanto, essa é a primeira decisão de um cristão. A decisão que muda tudo, porque é começar a viver de forma nova a adesão a Cristo e à pertença da Igreja: encontrar, por fim, o caminho, a verdade, o sentido e a razão da religião cristã.

E o primeiro passo para tomar essa decisão é escutar o Seu chamado. Ninguém se coloca a caminho atrás dos passos de Jesus seguindo a sua própria intuição ou os seus desejos de viver um ideal. Começamos a segui-lo quando nos sentimos atraídos e chamados por Ele. Por isso a fé não consiste primordialmente em acreditar em algo sobre Jesus, mas em acreditar n’Ele.

Quando falta o seguir a Jesus, cuidado e reafirmado uma e outra vez no próprio coração e na comunidade crente, a nossa fé corre o risco de ficar reduzida a uma aceitação de crenças, uma prática de obrigações religiosas e uma obediência à disciplina da Igreja.

É fácil então nos acomodarmos na prática religiosa, sem deixarmos de questionar pelos chamados que Jesus nos faz a partir do evangelho que escutamos cada domingo. Jesus está dentro dessa religião, mas que nos arrasta atrás dos seus passos. Sem darmos conta, habituamo-nos a viver de forma rotineira e repetitiva. Falta-nos a criatividade, a renovação e a alegria de quem vive esforçando-se por seguir a Jesus.