Diga não às novas usinas de carvão no Sul do Brasil

Usina de carvão no Reino Unido. O país faz parte da aliança que se comprometeu a abandonar as termelétricas a carvão de sua matriz energética até 2030. (Foto: Steve Morgan | Greenpeace)

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23 Agosto 2018

O governo brasileiro quer investir na geração de energia elétrica mais poluente no mundo.

A reportagem é publicada por Greenpeace, 22-08-2018. 

Você investiria numa nova fábrica de fitas VHS, aquelas que a gente rebobinava no videocassete depois de ver um filme? Em tempos de Netflix, parece loucura, né? Mas o governo brasileiro está incentivando um retrocesso parecido no setor de energia elétrica: quer abrir espaço para novas usinas a carvão no país, precisamente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O mundo sabe, faz tempo, que a produção de energia pela queima de carvão é ultrapassada e extremamente poluente. O mineral é o mais intensivo em carbono e, por isso, o que mais contribui para a aceleração do aquecimento global. No nível local, afeta a saúde da população e do meio ambiente. Ainda assim, o atraso insiste em firmar seu espaço.

Impulsionado pelos interesses de grandes empresários do setor e de investidores estrangeiros, como os chineses, as usinas a carvão voltaram a fazer parte do leilão de energia A-6, lançado pelo Governo Federal e previsto para acontecer no próximo dia 31 de agosto. Há 5 anos, não são contratados investimentos em termelétricas movidas a carvão nos editais deste tipo apresentados à iniciativa privada.

Em 2017, 19 países e diversos estados anunciaram uma aliança pelo encerramento de seus programas a carvão até 2030, entre eles Reino Unido, França, Canadá, Portugal e México.

“Já neste ano, países que são grandes dependentes dessa fonte para geração de energia, como o Chile, onde o carvão mineral representa 35% da matriz energética, estão se comprometendo a abandoná-lo”, afirma nosso especialista em energia, Marcelo Laterman Lima. Na Alemanha, uma comissão foi formada em julho para definir um prazo para o fim do carvão, que representa hoje 40% da matriz elétrica do país.

Já o Brasil tem apenas 2,3% de sua matriz energética baseada em carvão e possui um dos maiores potenciais para gerar energia renovável e limpa, como solar e eólica. Apesar desta vantagem competitiva natural, o país segue mais uma vez na contramão do mundo e da História, ao querer investir em uma tecnologia do século 18! Para você ter ideia, a previsão é de que as novas usinas a carvão que forem aprovadas este ano funcionem pelo menos até 2049!

“Neste momento político do Brasil estamos frente a uma discussão sobre que país queremos. A qualidade da matriz energética é fundamental para o rumo de desenvolvimento que vamos seguir. Se optarmos pelo caminho da soberania, eficiência e sustentabilidade, o carvão não é uma opção. Uma matriz limpa e justa e um futuro mais saudável e seguro só serão possíveis por meio de compromissos claros de eliminar esse combustível fóssil como fonte energética”, diz Marcelo.

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