Ordens religiosas masculinas dos EUA propõem encíclica papal sobre a não violência

Mesquita em Azaz, na Síria | Foto: Christiaan Triebert / Wikimedia Commons

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16 Agosto 2017

O grupo que reúne representantes das ordens religiosas masculinas católicas nos Estados Unidos se comprometeu em trabalhar para persuadir o Papa Francisco a escrever uma nova carta encíclica focada na mudança do ensino católico, afastando-o da teoria da guerra justa e indo em direção à não violência evangélica.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 15-08-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em resolução adotada em 3 de agosto em sua assembleia anual, a Conferência dos Superiores Maiores declara que “usaremos tanto os nossos carismas individuais quanto a nossa experiência enquanto líderes religiosos para (...) levar o Papa Francisco a apresentar uma encíclica sobre a não violência, que inclua mudar na direção da abordagem da paz justa para o conflito transformador”.

“Reconhecemos que a violência é, muitas vezes, generalizada em nossas sociedades, inclusive na forma de violência estrutural e cultural”, afirma a justificativa logo abaixo da resolução. “Por exemplo, devemos transformar as estruturas econômicas e os investimentos que perpetuam os preparativos para a guerra e a proliferação de armas em nossa sociedade”.

“Precisamos de uma compreensão mais profunda da não violência evangélica para melhor vivermos a fé, transformar as sociedades e ‘construir pontes’ bem como estruturas de paz justa”, continua o texto.

Ao propor uma nova encíclica papal sobre a não violência, os religiosos ecoam um pedido semelhante feito ano passado em um importante congresso no Vaticano realizado para reavaliar os ensinamentos há tempos sustentados pela Igreja em torno da teoria da guerra justa.

Após um evento de três dias organizado pelo Pontifício Conselho “Justiça e Paz” e pela organização católica pacifista internacional Pax Christi, os membros do congresso de abril de 2016 pediram que Francisco pense sobre escrever uma carta encíclica, ou algum outro “documento magisterial importante”, reorientando os ensinamentos da Igreja sobre o tema da violência.

“Não há ‘guerra justa’”, escreveram os 80 participantes do evento.

A teoria da guerra justa é uma tradição que emprega uma série de critérios para avaliar se o uso da violência pode ser considerado moralmente justificável. Referido pela primeira vez por Santo Agostinho de Hipona, bispo que viveu no século IV, mais tarde a ideia foi articulada em profundidade pelo teólogo do século XIII São Tomás de Aquino e, hoje, encontra-se resumida sob quatro condições presentes no Catecismo da Igreja Católica.

Vários teólogos já criticaram o emprego continuado da teoria nos tempos modernos, dizendo que tanto as capacidades poderosas dos armamentos modernos quanto as provas da eficácia de campanhas não violentas a tornam ultrapassada.

A Conferência dos Superiores Maiores (Conference of Major Superiors of Men) foi fundada em 1956 e é a conferência canonicamente reconhecida dos irmãos (religiosos consagrados), padres dos EUA. Segundo dados do Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado, da Universidade de Georgetown, existem cerca de 16.000 irmãos e padres no país.

A assembleia deste ano do grupo aconteceu em Scottsdale, no Arizona, entre os dias 1 e 4 de agosto.

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