Assis: um diálogo que começou em 1219. Artigo de Enzo Fortunato

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14 Setembro 2016

"Estamos a caminho para construir pontes de diálogo e para derrubar os muros da indiferença. Esse é o compromisso de Assis com a consciência que o papa dita a poucos dias da sua chegada: ‘Não são suficientes os grandes encontros internacionais. É a partir dos pequenos gestos cotidianos que se pode construir a paz’."

A opinião é do padre franciscano italiano Enzo Fortunato, diretor da revista San Francesco, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 13-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Era o distante 1219, e Francisco de Assis se dirigia, contra a opinião de todos e em plena Cruzada, para Damietta: os soldados com a palavra das armas, ele com a palavra da paz. Os primeiros embebiam a terra de sangue, o segundo tentava embeber de paz o coração das pessoas.

Naquele contexto, ocorreu o encontro entre Francisco e o sultão do Egito, Malik al-Kamil. Um momento extremamente significativo e atual pelas suas consequências na busca da paz e do diálogo entre nações e fés, entre culturas e pessoas.

O encontro em Damietta é a porta que o Oriente abre para o Ocidente, e vice-versa. Dois homens iluminados deixam escancaradas todas as possibilidades para favorecer o encontro.

Assim as fontes franciscanas relatam o episódio: "O sultão, vendo o admirável fervor de espírito e a virtude do homem de Deus, também o ouviu de bom grado e lhe pedia vivamente para permanecer com ele".

Quais são os encontros que amadureceram a partir desse primeiríssimo diálogo inter-religioso? E, acima de tudo, quais são as suas consequências? Muitos, às vezes, enfatizam ironicamente: "É apenas cenografia, isso não leva a nada", mas a resposta é olhar para aquela que foi a intuição genial de João Paulo II: o mundo está em plena Guerra Fria, entre Rússia e Estados Unidos a tensão é altíssima. João Paulo II convocou em Assis os líderes religiosos do planeta. As resistências não faltaram, mas o papa não se rendeu e pediu para silenciar as armas.

Na noite do dia 27 de outubro de 1986, ele diria: "O que fizemos hoje em Assis, rezando e testemunhando em favor do nosso compromisso com a paz, devemos continuar fazendo todos os dias". A consequência dessa oração conjunta viria em 1989, quando caiu o emblema da Guerra Fria: o Muro de Berlim.

Hoje, a Comunidade de Santo Egídio, as famílias franciscanas e a igreja de Assis se fazem porta-vozes da palavra do papa: uma resposta de paz a uma "silenciosa" terceira guerra mundial. Depois dos atentados na França, na Síria e no Paquistão, a resposta ao novo terror são Assis e as palavras do santo: "Fazei de mim um instrumento da vossa paz".

Estamos a caminho para construir pontes de diálogo e para derrubar os muros da indiferença. Esse é o compromisso de Assis com a consciência que o papa dita a poucos dias da sua chegada: "Não são suficientes os grandes encontros internacionais. É a partir dos pequenos gestos cotidianos que se pode construir a paz".

É aquilo que o Guardião do Sacro Convento de Assis, padre Mauro Gambetti, ressalta nestes dias.

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