Ecumenismo: católicos e protestantes juntos para os 500 anos da Reforma

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27 Agosto 2011

Um documento conjunto que relança o diálogo entre Igrejas foi anunciado pelo cardeal Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.

A reportagem é de Alessandro Speciale, publicado no sítio Vatican Insider, 26-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um documento comum sobre a fé cristã que os une, para além das divisões dos últimos séculos, está sendo preparado pela Igreja Católica e pela Federação Luterana Mundial, em vista da 500º aniversário das 95 teses de Martinho Lutero em 2017.

O Papa Bento XVI havia antecipado a iniciativa em dezembro passado, durante a audiência com o presidente dos luteranos mundiais, o bispo Munib A. Younan. Nestes dias, o cardeal suíço Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, antecipou alguns detalhes do documento em uma entrevista à agência católica alemã KNA.

A declaração conjunta, preparada pela Comissão Internacional Luterano-Católica sobre a Unidade, deverá ler o evento da Reforma à luz dos 2.000 anos de história cristã, dos quais 1.500 ocorreram antes da divisão entre católicos e protestantes. Para o purpurado, a divisão da Igreja não era o objetivo de Lutero.

Segundo o cardeal Koch, a comemoração comum da Reforma poderia ser uma oportunidade para chegar a uma admissão comum de culpa por parte das duas Igrejas, sobre o rastro do pedido de perdão feito pelo Papa João Paulo II no ano 2000 pelo papel católico nas "divisões na Igreja".

"Sem uma consciência" – disse o cardeal Koch –, sem uma purificação comum da memória e sem uma admissão de culpa de ambas as partes, a meu ver, não pode haver uma sincera comemoração da Reforma".

O purpurado também sublinhou que foi o próprio Papa Ratzinger, que, como alemão, cresceu em um país cuja população é dividida quase igualmente entre católicos e protestantes, que pediu que o diálogo ecumênico tivesse um papel mais central na sua visita à Alemanha de setembro próximo.

Durante a audiência ao bispo Younan do último dia 16 de dezembro, o Papa Ratzinger havia antecipado que o documento para o 500º aniversário das 95 teses documentaria "aquilo que os luteranos e os católicos são capazes de dizer juntos sobre esse ponto, olhando para a nossa maior proximidade depois de quase cinco séculos de separação".

No aniversário de 1517, havia acrescentado, "os católicos e os luteranos são chamados a refletir novamente sobre onde o nosso caminho para a unidade nos levou e a invocar a orientação de Deus e a sua ajuda para o futuro".