"A educação sexual é contrária à fé", afirma Bento XVI

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11 Janeiro 2011

O ataque do Papa: a liberdade religiosa está em risco também na Europa. "Os Estados não devem promover estilos de vida contrários aos princípios da cristandade", afirmou.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 11-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"A liberdade religiosa não está ameaçada só pelas bombas dos fundamentalistas islâmicos. O direito de professar a própria fé hoje está posto sob dura prova também por aqueles Estados que promovem por lei estilos de vida contrários aos princípios da fé como a educação sexual ou civil nas escolas e a desagregação da família tradicional, que não defendem a vida nascente recorrendo a manipulações genéticas, contracepções e aborto, ou limitando o direito dos médicos à objeção de consciência; mas vetam também a exposição pública dos símbolos sagrados como o Crucifixo ou apagam as recorrências religiosas nos calendários, renunciando de fato a reconhecer suas próprias raízes socioculturais". É longo e detalhado o elenco que Bento XVI traça sobre os perigos que – em sua opinião – estão minando o direito à liberdade religiosa no mundo.

Um verdadeiro alarme – destinado também a levantar polêmicas – foi disparado nesta segunda-feira no Vaticano, no discurso de início de ano ao Corpo Diplomático credenciado junto à Santa Sé, um grupo de 178 embaixadores. Na abertura, Ratzinger evoca os sofrimentos das minorias cristãs do Oriente Médio, em defesa das quais pede uma intervenção mais direta e "consistente" de "autoridades civis e chefes religiosos muçulmanos", pedindo "medidas mais eficazes para a sua proteção".

Palavras de apreciação foram reservadas, ao contrário, aos países da União Europeia que, sob o impulso da Itália e da França, nos últimos dias, intervieram para condenar o atentado do final de ano à igreja copta de Alexandria do Egito. Mas também – destaca Bento XVI falando de "clarividência política", com particular referência à Itália – para se encarregarem da "incolumidade de todas as comunidades cristãs do Oriente Médio" e por terem "firmado o recurso ao tribunal de Estrasburgo em defesa do Crucifixo".

Mas a liberdade religiosa é um problema que não se refere só ao Iraque, ao Egito ou ao Paquistão, onde o Papa solicitou, dentre outras coisas, a abolição da lei sobre a blasfêmia, porque é muitas vezes usada para reprimir as minorias religiosas. O Ocidente também, com a Europa à frente, segundo o Papa, deve assumir esses problemas. E como prova aponta para os ataques "laicistas" aos quais a Igreja, há algum tempo, é submetida no plano sociocultural "também com legislações e imposições de estilos de vida" contrários à tradição cristã.

"Não posso passar sem referir – lamenta o Pontífice – uma outra ameaça à liberdade religiosa das famílias em alguns países europeus, onde é imposta a participação em cursos de educação sexual ou cívica que transmitem concepções da pessoa e da vida supostamente neutras, mas que, na realidade, refletem uma antropologia contrária à fé e à reta razão". Ratzinger não dá nomes, mas não é arriscado imaginar que, entre os países europeus "incriminados", pode estar a Espanha de Zapatero.

Um outro firme stop é dirigido também àquelas nações – "especialmente na América Latina" – "onde se busca impor um ensino escolar inteiramente monopolizado pelo Estado, sem permitir, por exemplo, que a Igreja Católica abra suas próprias escolas de acordo com as famílias". Não menos preocupada é a referência que o Papa faz às legislações pró-aborto e às práticas bioéticas contrárias à moral católica, como a inseminação artificial heteróloga, as experiências sobre os embriões, as pílulas anticoncepcionais.