''Se não tuitar, não é mais Igreja: o exemplo vem de Jesus''

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30 Setembro 2013

Dez dias atrás, em Latrão, Francisco tinha teorizado sobre a utilidade da discordância: quando não se compartilha alguma coisa da Igreja, é bom dizê-lo "publicamente". Os diretores dos maiores jornais italianos retomaram o assunto no dia 25 de setembro, em Roma, no milenar Templo de Adriano, em que debateram amplamente com o cardeal Gianfranco Ravasi, ministro vaticano da Cultura.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 26-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E assim o "jardim dos gentios" (fórum entre crentes e ateus desejado por Bento XVI) se transformou por um dia em "átrio dos jornalistas", ou seja, em um lugar de discussão franca entre operadores da comunicação sobre fé e razão, novas tecnologias e valor da palavra, mídia de massa e ética.

"O papa no Twitter é um erro, porque tira do pontificado a distância e o mistério que era melhor manter", observa Ferruccio de Bortoli (Corriere della Sera). "Por muito tempo, além disso, tornou-se obsessiva e quase exclusiva a referência à bioética e aos valores inegociáveis, a despeito do magistério social".

Roberto Napoletano (Il Sole 24 Ore) indica o modelo "austro-húngaro" de De Gasperi, raciocina sobre as possibilidades de que o IOR seja efetivamente fechado por Bergoglio e apela à "laicidade indispensável em um país que tem a presença do governo central da Igreja universal", enquanto Ezio Mario (La Repubblica) estigmatiza as "guerras" entre a Conferência Episcopal Italiana e a Secretaria de Estado do Vaticano sobre a titularidade das relações com as instituições: "A agenda da Igreja não pode coincidir com a político-parlamentar".

Com relação ao pontífice nas redes sociais digitais, no entanto, Mauro não compartilha as críticas de De Bortoli: "Eu nunca entrei no Facebook, mas o Twitter é diferente, comunica uma mensagem, transmite conteúdos". O diretor do La Stampa, Mario Calabresi, registra o erro de perspectiva que induziu os jornais a esperar em vão uma imediata reação da Santa Sé à recente aprovação do casamento gay na França: "A falta de intervenção do pontífice despedaçou a lógica do 'pergunta e resposta' cotidiano e levou novamente a Igreja aos seus próprios tempos naturais que não coincidem em nada com os da política e da comunicação".

Fides et ratio, destaca Calabresi, "convivem na pessoa e se equilibram na centralidade da consciência", por isso a tarefa dos jornais é "apresentar ao leitor o que é realmente importante, sem sensacionalismo nem escandalismo".

Da entrevista de Bergoglio à Civiltà Cattolica, surge a imagem de uma "Igreja que não pode mais ficar na roupa que lhe foi costurada em cima", e desse ponto de vista são "tempos infelizes para os preguiçosos e fascinantes para aqueles que querem seguir a evolução dos tempos"

Ravasi contextualiza teologicamente os efeitos sobre o indivíduo e a sociedade por parte das inovações tecnológicas. "A língua italiana conta com 150 mil vocábulos, enquanto os jovens hoje usam de 800 a 1.000", explica o purpurado. "Mudou o modelo antropológico dos 'nativos digitais', portanto, um bispo que não sabe se mover nessa nova atmosfera coloca-se fora da sua missão".

Nada de novo debaixo do sol. "Jesus antecipa a linguagem sintética dos tuítes: 'O reino de Deus está próximo, convertei-vos', 'Ama o teu próximo como a ti mesmo'", indica Ravasi. "Uma pregação fulgurante que levou o judeu Kafka a considerar Cristo como 'um abismo de luz dentro do qual é preciso fechar os olhos para não cair'. Uma capacidade incisiva de transmitir a mensagem evangélica, porque a verdade é como o diamante: eu vejo uma face sua, só Deus vê todas".

Por isso, permanece válido o ensinamento atribuído por Platão a Sócrates. "Uma vida sem busca não merece ser vivida", assegura o cardeal. "Enquanto estivermos inquietos, podemos ficar tranquilos".

De sua parte, o fundador do La Repubblica, Eugenio Scalfari, não crente mas "apaixonado por Jesus", afirma: "Bergoglio é uma presença revolucionária. Não haverá um Francisco II. Devemos transmitir o legado da civilização, e a religião é um veículo essencial".

Para Virman Cusenza (Il Messaggero), "o jornalista deve ir às periferias culturais", e até mesmo as investigações judiciais que têm como alvo o IOR "são a favor da Igreja e incentivam a ação de renovação".

O selo, no fim, é posto pelo diretor do L'Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian: "O jornal é a Bíblia laica, mas muito mais interessante é a Escritura Sagrada verdadeira".