Brasil é um país normal, e isso é um elogio atualmente, diz Dani Rodrik

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08 Mai 2013

O Brasil é um país normal e, em uma época em que a economia global é tudo menos normal, isso representa um elogio e tanto, afirmou ontem o economista Dani Rodrik, professor da Universidade de Harvard, em seminário realizado em São Paulo, sobre a economia brasileira e a crise mundial. "Em um momento como este, a melhor coisa que qualquer país tem a almejar é ser normal."

A reportagem é de Evandro Monteiro e publicada pelo jornal Valor, 08-05-2013.

Segundo Rodrik, a taxa de crescimento econômico do Brasil apresentou progressos significativos nos últimos dez anos, especialmente em termos relativos, se comparada à performance de países desenvolvidos.

Para Rodrik, é impossível que a América Latina se mantenha imune a todo o contexto externo, mas "se manterá uma região relativamente segura". No Brasil, a estabilidade macroeconômica, o ambiente democrático e os avanços fiscais são extremamente importantes para a resiliência do país nesse cenário.

Rodrik afirmou que o espaço fiscal obtido hoje pela economia do país é importante, com reservas que podem ser usadas na adversidade. Para ele, não é possível que o Brasil possa voltar a ter um crescimento de 7% ou 8% porque as condições internas e externas são diferentes, mas uma taxa de 4% é perfeitamente factível em bases sustentáveis. Porém, é preciso investir nos fundamentos, como em capital humano, na educação, no fortalecimento das instituições e em instrumentos de governança se o objetivo é produzir crescimento estável, ainda que em um nível mais baixo ou moderado, afirmou ele.

O economista discorreu sobre outros modelos de crescimento, mais ou menos sustentáveis, e que produzem expansão mais acelerada. O primeiro, alimentado por altos endividamentos externos vindos do setor público ou privado, com crescimento rápido do crédito e do consumo, já mostrou que sempre termina mal.

O segundo modelo se baseia na transformação estrutural rápida da economia, de atividades tradicionais para as mais modernas e industrialização, como ocorrida em países como a Coreia do Sul e o Brasil das décadas de 1960 e 1970. Embora esse seja o padrão historicamente mais confiável, segundo Rodrik, esse modelo se mostra difícil de replicar no mundo atual, em razão da dificuldade de se encontrar mercados compradores desses produtos industrializados e da necessidade de fortes investimentos em tecnologia.

O terceiro modelo, baseado nos preços altos de commodities, como o Brasil na última década, é muito dependente de um único país, a China, e pode levar um país à chamada "doença holandesa", com a valorização excessiva da moeda e a perda de dinamismo da indústria. Segundo Rodrik, o modelo não é necessariamente uma armadilha, mas requer instituições mais fortes para gerir as consequências, como o que chama de "robustos processos democráticos, fortes mecanismos de governança e políticas sociais", afirma. Assim, resumiu o economista, o crescimento sustentável tem ser focado também nos investimentos nos fundamentos.

Falando sobre os problemas a serem enfrentados por outros países, Rodrik afirmou que, nos Estados Unidos, o mais grave a ser enfrentado é a desigualdade. Na Europa, o calcanhar de Aquiles é o desemprego. Na China, afirmou, a questão é saber se o crescimento é, de fato, sustentável.