Papa Francisco se encontra com 4 ex-escravas sexuais e denuncia o tráfico humano como crime contra a humanidade

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14 Abril 2014

O Papa Francisco denunciou o tráfico humano como crime contra a humanidade na última terça-feira (08-04-2014) depois de se encontrar com quatro mulheres que foram traficadas e forçadas à prostituição.

No Vaticano, o religioso participou de uma conferência que reuniu agentes pastorais, representantes de instituições de caridade e chefes de polícia de 20 países, da Interpol e Europol, os quais prometeram uma maior cooperação visando evitar o tráfico e encorajar suas vítimas a se apresentarem à polícia.

A reportagem é de Nicole Winfield, publicada pela Associated Press, 10-04-2014. A tradução de Isaque Gomes Correa.

“O tráfico humano é uma ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea, um flagelo sobre o corpo de Cristo”, disse Francisco. “É um crime contra a humanidade”.

O pontífice se encontrou em privado com escravas sexuais libertas, cada uma vinda da Argentina, do Chile, da Hungria e República Checa. Três delas discursaram na conferência, que publicou um manifesto comprometendo-se em desenvolver estratégias para fazer mais no sentido de prevenir o tráfico, aumentar o cuidado às vítimas e ajudá-las a se reintegrar à sociedade uma vez libertas.

“Nossa estratégia deve perpassar todas as fronteiras, idiomas, culturas e crenças religiosas”, disse ao grupo Ronald Noble, secretário geral da Interpol. “Estes ‘comerciantes’ não se preocupam com tais diferenças, de fato eles crescem com elas, e assim vêm sendo feito há anos”.

Participando no evento estavam chefes de polícia vindos de países onde as mulheres são, rotineiramente, traficadas para o sexo, incluindo Nigéria, Romênia, Polônia e Albânia.

Francisco fez do combate ao tráfico humano e à escravidão uma prioridade de seu papado. O Vaticano recentemente juntou forças com a Igreja Anglicana e a Universidade Al-Azhar, o principal centro de ensino sunita, numa iniciativa antiescravidão.

No entanto, apenas cerca de 1% de todas as vítimas do tráfico denunciam seus traficantes à polícia e buscam assistência, disse Bernard Hogan-Howe, o comandante da Polícia Metropolitana de Londres, a qual firmou parceria com a Arquidiocese de Westminster para dar apoio às vítimas. Muitas delas temem se apresentar às autoridades, pensando que serão julgadas, deportadas ou processadas quando, na verdade, a polícia e a Igreja querem oferecer-lhes um “santuário”, disse.

A conferência, apelidada de “o Grupo Santa Marta” em decorrência do alojamento em que o Papa Francisco mora e onde os participantes ficaram, se reúne novamente em Londres no mês de novembro.

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