O arquivo do mártir jesuíta Ignacio Ellacuría, patrimônio da América Latina

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20 Novembro 2015

"Patrimônio documental" da América Latina: assim a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) declarou o arquivo do mártir jesuíta Ignacio Ellacuría, assassinado em El Salvador em 1989, segundo o Museo de la Palabra y la Imagen (Mupi).

A reportagem é da agência Misna, 19-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O documento que certifica a declaração foi entregue pelo delegado do comitê regional para a América Latina e o Caribe do programa "Memória do Mundo" da Unesco e diretor do Mupi, Carlos Henríquez Consalvi, ao reitor da Universidade Centro-Americana (UCA), padre Andreu Oliva, cujo antecessor foi Ellacuría.

Ellacuría – disse Consalvi – "é reconhecido internacionalmente pelas suas contribuições à teologia e à filosofia, e pelo papel desempenhado na busca de uma saída negociada para a guerra civil salvadorenha" (1980-1992), que custou no mínimo 75.000 mortos e foi precedida pela morte de Dom Óscar Arnulfo Romero, homicídio considerado a faísca que desencadeou o conflito.

O arquivo contém "documentos únicos e insubstituíveis de fontes primárias para estudar o pensamento de Ignacio Ellacuría e a sua aplicação para a solução dos graves problemas que enfrentamos em El Salvador", disse ainda Consalvi, rememorando o aniversário do assassinato do reitor da UCA e de outros cinco coirmãos dele.

No dia 16 de novembro de 1989, em plena guerra civil (1980-1992), os soldados do batalhão antiguerrilha Atlácatl, treinado nos Estados Unidos, invadiram a UCA, assassinando o reitor, os coirmãos espanhóis Ignacio Martín-Baró, Segundo Montes, Amando López, Juan Ramón Moreno e o salvadorenho Joaquín López, além da cozinheira Elba Julia Ramos e da sua filha de 15 anos, Celina Mariceth Ramos.

Inicialmente, o governo tentou atribuir a responsabilidade do massacre aos guerrilheiros da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), hoje o partido no poder do país.