Habermas: Ao pressionar Grécia, Merkel arrisca reputação alemã reconstruída no pós-guerra

Mais Lidos

  • “Meu pai espiritual, Santo Agostinho": o Papa Leão XIV, um ano depois. Artigo de Carlos Eduardo Sell

    LER MAIS
  • Aumento dos diagnósticos psiquiátricos na infância, sustentado por fragilidades epistemológicas e pela lógica da detecção precoce, contribui para a medicalização da vida e a redefinição de experiências comuns como patologias

    A infância como problema. Patologização e psiquiatrização de crianças e adolescentes. Entrevista especial com Sandra Caponi

    LER MAIS
  • A mineração de terras raras tem o potencial de ampliar a perda da cobertura vegetal nas áreas mineradas, além de aumentar a poluição por metais tóxicos e elementos químicos radioativos que são encontrados associados às terras raras, afirma o pesquisador da UFRGS

    Exploração de terras raras no RS: projeto põe recursos naturais em risco e viabiliza catástrofes. Entrevista especial com Joel Henrique Ellwanger

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Julho 2015

O filósofo alemão Jürgen Habermas criticou a chanceler de seu país, Angela Merkel, por sua postura rigorosa durante as negociações por um acordo de austeridade com a Grécia, durante entrevista ao The Guardian nesta quinta-feira (16/07). Habermas afirmou ainda que o curso das negociações, lideradas por Merkel, entre Grécia e credores põe em risco a reputação alemã do pós-guerra.

"Forçar o governo grego para concordar com um fundo de privatização economicamente questionável, predominantemente simbólico, não pode ser entendido como nada além de um ato de punição contra um governo de esquerda", afirmou.

 A informação é publicada por Opera Mundi, 16-07-2015.

Para o expoente da teoria crítica contemporânea, Merkel põe em risco todos os esforços das últimas gerações de chefes de governo que tentaram reconstruir a reputação da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, ao endurecer as negociações por um resgate financeiro que estabilize a crise econômica que Atenas enfrenta.

"Temo que o governo alemão, incluindo a sua facção social-democrata, tenha apostado em apenas uma noite todo o capital político que uma Alemanha melhorada tinha acumulado em meio século", analisou o intelectual. “Governos alemães anteriores exibiram maior sensibilidade política e uma mentalidade pós-nacional", acrescentou.

Esta é a primeira declaração de Habermas desde a assinatura do acordo entre o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), que aconteceu na madrugada de segunda-feira (13/07). Segundo ele, a Alemanha “revelou-se de forma sem vergonha como chefe disciplinadora da Europa” durante as negociações.

Aos seus olhos, o resultado do pacto entre Tsipras e os líderes da zona do euro "não faz sentido em termos econômicos, devido à mistura tóxica entre as reformas estruturais necessárias do Estado e da economia e as imposições neoliberais que irão desencorajar completamente uma população grega, que já está esgotada, além de matar qualquer ímpeto para o crescimento do país”.

Em sua reflexão sobre a sociedade, direito e democracia em esfera pública, Jürgen Habermas conclui que casos — como a crise grega — mostram que a Europa mantém-se em um estado inexorável de tensão ao estar “presa em uma armadilha política”.

"Sem uma política econômica e financeira comum, as economias nacionais dos Estados-membros pseudo-soberanos continuarão a decair em termos de produtividade. Nenhuma comunidade política pode sustentar tal tensão no longo prazo”, acredita.