“Que a Igreja não seja madrasta nem expulse os fiéis”

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18 Mai 2015

Monjas com as “antenas levantadas” para captar as necessidades dos outros e bispos capazes de criar harmonia nas dioceses. São as tarefas que o Papa Francisco recomendou aos religiosos e às religiosas da diocese de Roma, durante um encontro na Aula Paulo VI. Hoje, mais do que nunca, “se necessita ter sempre paciência e saber perdoar sem críticas”.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 16-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

O modelo que é preciso seguir, indicou o Pontífice argentino, “é o da mãe que não “expulsa” os seus filhos, pois do contrário é uma madrasta”. Assim o Papa Francisco quer a Igreja, e este mesmo compromisso é o que ele propôs aos religiosos em vista do Ano Santo da Misericórdia, que começará no próximo dia 8 de dezembro.

“Devem testemunhar a misericórdia”, disse ele aos religiosos e às religiosas que enchiam a Aula Paulo VI durante o encontro diocesano de Roma. O Papa disse particularmente às religiosas que elas devem estar sempre “com o sorriso nos lábios, com o coração repleto de amor como o de uma mamãe; com o justo equilíbrio entre o espírito e o concreto, sem estar demasiado nas nuvens, e sim com os pés na terra, para escutar o ruído do mundo e as necessidades dos irmãos: devem inspirar-se nas Bem-aventuranças e ter sempre em conta o capítulo 25 do Evangelho de Mateus, sobre o qual seremos julgados”.

Grande entusiasmo e um clima de festa caracterizaram este encontro com o Bispo de Roma, organizado pela diocese da capital italiana. “Uma monja de clausura – disse o Pontífice no discurso, segundo noticiou “L’Osservatore Romano” – não pode ser uma mulher excluída do mundo, porque a vocação não é um refúgio. É mais, deve estar sempre em tensão: com as antenas levantadas para captar as necessidades dos demais”.

Por isso, advertiu o Papa, “é necessário também informar-se e manter o contato direto com o povo que chega aos mosteiros. O serviço aos irmãos deve ser feito com o sorriso nos lábios, porque na uma monja que não sorri falta algo”. O Papa também convidou as monjas a rezarem pelos bispos e os sacerdotes, seguindo o exemplo de Santa Teresa do Menino Jesus. As monjas, recordou, “são o ícone da Igreja e da Virgem”.

Respondendo a um missionário escalabriano, o Papa sublinhou “a importância da festa, que é uma verdadeira categoria teológica. Festejar não significa fazer ruído, senão, como diz o Deuteronômio, o fim é a alegria de recordar o que o Senhor fez por nós”.

Em relação a certa competição entre a paróquia e as congregações religiosas, o Pontífice disse que uma das coisas difíceis para um bispo é “criar harmonia na diocese”. Uma festa é um momento de reflexão compartilhada.

“Muitas cores, tantas como as várias formas de vida consagrada presentes na diocese de Roma, mas também bailes, cantos, orações e testemunhos para expressar a vitalidade de uma decisão que acomuna homens e  mulheres de cada nível social, raça e língua”, sublinhou “L’Osservatore Romano”. Recebeu um caloroso aplauso a religiosa de 97 anos, Cándida Burgio, que saudou o Papa, o qual elogiou seu olhar límpido e seu sorriso de irmã, mãe, avó... Nela, o Papa agradeceu a todos os presentes e quis fazer uma homenagem a todos os que perseveram na vida consagrada.

Segundo o Papa, “a fidelidade na vida consagrada deve, por sua natureza, refletir a fidelidade, o amor, a ternura da mãe Igreja e da Mãe Maria. E a consagrada que não segue esta via se equivoca”. O amor deve ser concreto, afirmou o Papa Francisco. “Mas – se perguntou -, quais são os conteúdos desta concreção?” A resposta está em duas passagens do Evangelho: nas Bem-aventuranças, nas quais se escreve como é preciso agir, e o capítulo 25 do Evangelho de Mateus, protocolo com base no qual seremos julgados. Nele encontramos a concreção da vida consagrada e seguindo-a, indicou o Pontífice, podemos chegar a um grau elevado de santidade. O Papa respondeu, depois, a uma pergunta sobre a consagração feminina como dimensão esponsal.

“A dimensão feminina é muito importante”, disse, “porque as monjas são ícones da mãe Igreja e da Mãe Maria”. Por isso, Francisco convidou a “não esquecer que a Igreja é feminina: não é “o Igreja”, senão “a Igreja”, e ela é a esposa de Jesus”. “Infelizmente– observou – às vezes se esquece a importância do amor materno da monja, a maternidade da mulher consagrada”.