Papa Francisco e o roteiro para um pontificado de São José

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23 Março 2015

A maior parte das análises sobre o Papa Francisco nestes seus dois anos como líder da Igreja Católica de Roma tem se focado em dois aspectos: ele é membro da ordem religiosa dos jesuítas, e ele nomeou o seu papado em homenagem ao santo dos pobres, Francisco de Assis, que viveu no século XIII.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada pela National Catholic Reporter, 19-03-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Porém há uma terceira relação com a qual o ministério do papa está inexoravelmente ligado: São José, esposo de Maria e padrasto de Jesus.

Oficialmente iniciado em seu ministério petrino no dia 19 de março de 2013, Francisco comemora o aniversário no papado no mesmo dia em que a Igreja celebra a Festa de São José.

Muitas foram as vezes que, publicamente, Francisco fez esta relação entre ele e José. Durante a sua ida às Filipinas em janeiro, ele disse que mantém uma pequena estátua do santo sobre a sua escrivaninha.

Às vezes, disse o papa, ele anota os problemas que está tendo em pedaços de papel e coloca-os sob a estátua para que São José possa ajudar a resolvê-los.

Já nos primeiros meses após a sua eleição, Francisco alterou permanentemente as orações eucarísticas usadas na maioria das missas católicas para incluir o nome de José junto com o de Maria.

Mas a relação entre o papa e o pai também se parece quase como um roteiro papal.

Na homilia de sua primeira missa como papa – realizada apenas seis dias depois de sua surpreendente eleição como papa em 13 de março de 2013 –, parece que Francisco delineou toda a visão de como seria o seu papado.

As chaves para esta visão? Um papa que reconhece os limites de seu poder, que vincula este poder completamente ao serviço e, na maior parte, busca – como São José – ser um protetor daqueles que ele lidera, um protetor de sua família.

Resumindo a função do papa dois anos atrás, Francisco declarou: “Não nos esqueçamos jamais de que o verdadeiro poder é o serviço”. O papa, prosseguiu, “deve estar inspirado naquele serviço lento, concreto e fiel que marcou São José”.

“Como ele”, continuou Francisco, “deve abrir os braços para guardar todo o povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos”.

“Somente os que sevem com amor são capazes de proteger”, disse o papa.

Dois anos depois, a imagem de um papa que é como um pai, com os braços abertos, parece exata. Francisco é conhecido pelas várias imagens dele abraçando, acolhendo as pessoas de todos os tipos – deficientes, empobrecidos economicamente, crianças.

Mas o que isto diz sobre os próximos dois anos (ou mais)?

Algo a partir da homilia inaugural que parece que Francisco abordará em breve é o cuidado da criação.

Ao falar, dois anos atrás, sobre o papel de José como protetor/guardião, o papa disse que tal função não é apenas cristã, as que “tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos”.

“É a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Gênesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos”, disse.

“Fundamentalmente, tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos”, continuou Francisco.

“Sede guardiões dos dons de Deus!”, disse ele às cerca de 200 mil pessoas e 131 delegações governamentais do mundo todo reunidas na Praça de São Pedro.

Enquanto esperamos a publicação da próxima carta encíclica de Francisco, que deve se focar na ecologia e proteção do meio ambiente, aguardarmos para ver como ele irá cumprir a missão que estabeleceu, para si mesmo, dois anos atrás.

Tal é uma missão para se ser jesuíta e franciscano nos moldes de José, que protege e guarda tudo: as pessoa, os animais e o meio ambiente.