O bispo de Trípoli: ''Podem me cortar a cabeça''

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Fevereiro 2015

"Este é o ápice do meu testemunho." O drama da Líbia está nas palavras que se somam ao pranto do padre Giovanni Innocenzo Martinelli. Ele ainda está em Trípoli, como vigário apostólico naquela Igreja que leva o nome do santo com o qual compartilhou os votos: Francisco de Assis. Ele já é o último italiano que optou por permanecer naquela terra aonde chegou em 1971, de Camacici, vilarejo de San Giovanni Lupatoto, no Veronese.

A reportagem é de Angiola Petronio, publicada no jornal Corriere della Sera, 17-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A sua família era de sobreviventes justamente daquela Líbia, onde Giovanni nasceu, em El Khadra, no dia 5 de fevereiro de 1942. Lá, tornou-se frei. E nunca mais a deixou. O padre veronense Martinelli mostra-se recalcitrante em relação ao retorno à Itália, imposto pelo governo, também aos diplomatas. "Porque – diz ele em um longo telefonema com o Corriere del Veneto – a minha comunidade está aqui. Como posso desistir? Seria uma traição...".

"Esse – explica – é o fim da minha missão. E se o fim deve ser testemunhado com o meu sangue, o farei." Obstinado até o martírio. Dom Martinelli cita São Francisco. "Eu dissera: quem quer ir entre os sarracenos, deve deixar tudo...". Aqueles "sarracenos", que nada mais eram do que os muçulmanos de hoje.

Os cursos e os recursos da história não poupam nem mesmo os freis. O padre Martinelli é um general sem legião. Porque, daqueles 150 mil batizados que ele encontrou Líbia quando chegou, agora não restaram nem mesmo 300.

O padre Martinelli celebrou a missa nessa segunda-feira. E o seu testemunho, mais do que um testemunho, torna-se o testamento de um homem que naquelas ruas de Trípoli, onde uma vez ele caminhava vestindo o hábito, agora é parado para ouvir dizer: "Você é contra o Islã".

"Na igreja, vieram me dizer que eu devo morrer. Mas eu quero que se saiba que o padre Martinelli está bem, e que a sua missão poderia chegar ao fim. Vi cabeças cortadas e pensei que eu também poderia ter esse fim. E, se Deus quiser que esse fim seja a minha cabeça cortada, assim será, mesmo que Deus não busque cabeças cortadas, mas outras coisas em um homem... Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Agradeço ao Senhor que me permite fazer isso, até com o martírio. Não sei até onde esse caminho vai me levar. Se me levar à morte, isso significa que Deus escolheu isso para mim... Daqui eu não saio. E não tenho medo."