Um pedido de desculpas pelo perdão. Artigo de José Antonio Pagola

Foto: Pixabay

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11 Setembro 2026

"Quando a vítima não quer ou não consegue perdoar, uma 'ferida mal cicatrizada' permanece, causando danos e ligando-a negativamente ao passado. Da mesma forma, o ressentimento enraizado em uma sociedade torna mais difícil encontrar maneiras de coexistir e pode bloquear qualquer esforço para resolver conflitos."

O artigo é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 09-09-2026. 

Eis o artigo.

Quase todas as vezes que escrevi sobre perdão, recebi cartas, geralmente anônimas, acusando-me de esquecer o sofrimento das vítimas do terrorismo, de não entender a humilhação de alguém que foi traído pelo cônjuge, de não "ter os pés no chão" e coisas semelhantes.

Entendo facilmente essa resistência ao perdão. Como não sentir a raiva, a impotência e a dor de alguém que foi vítima de violência, desprezo ou traição? Mas é justamente o ressentimento e a agressão que percebo por trás dessas linhas que me fazem enxergar com mais clareza o que aconteceria com um mundo em que o perdão fosse abolido.

Existe um mecanismo de defesa bem conhecido pelos psicólogos. Através de uma espécie de "mímica misteriosa", aqueles que foram vítimas de agressão tendem a imitar seu agressor de alguma forma. Essa é uma reação quase instintiva que surge no inconsciente individual ou coletivo e pode até ser transmitida de geração em geração.

O perdão gratuito de Deus

Se, em algum momento, não houver uma reação contrária, o dano tende a se perpetuar. Quando a vítima não quer ou não consegue perdoar, uma "ferida mal cicatrizada" permanece, causando dor e ligando-a negativamente ao passado. Da mesma forma, o ressentimento enraizado em uma sociedade dificulta a busca por soluções para conflitos e pode obstruir qualquer tentativa de resolvê-los.

O desejo de vingança é, sem dúvida, a resposta mais instintiva à ofensa. Uma pessoa precisa se defender da ferida recebida, mas, como alerta o renomado especialista Jacques Pohier, quem tenta curar sua ferida infligindo sofrimento ao agressor está enganado. O sofrimento não tem poder mágico para curar a humilhação ou a agressão sofrida. Pode produzir uma satisfação momentânea, mas a pessoa precisa de algo mais para retornar a uma vida saudável. Como disse Henri Lacordaire há muito tempo: "Quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoe."

Às vezes nos esquecemos de que o processo de perdão beneficia mais quem foi injustiçado, pois o liberta do mal, engrandece sua dignidade e nobreza, lhe dá forças para reconstruir sua vida e lhe permite embarcar em novos projetos. Quando Jesus nos convida a perdoar "setenta vezes sete", ele nos convida a seguir o caminho mais saudável e eficaz para erradicar o mal de nossas vidas. Suas palavras adquirem ainda mais profundidade para aqueles que creem em Deus como a fonte suprema do perdão: "Perdoai, e sereis perdoados".

(Extraído dos arquivos do autor)

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