O ‘glocal’ e as unidades de produção sustentável. Entrevista com Tomás Loewy

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19 Mai 2025

Em um contexto de globalização e crise socioambiental, Tomás Loewy, autor de Ordenamiento Glocal: Un paisaje necesario (Editorial Dunken, 2024), propõe uma transformação do atual sistema produtivo baseado na concentração econômica e na exploração dos recursos naturais, a partir do sistema agroalimentar.

A entrevista é de Gabriela Ensinck, publicada por Tiempo Argentino, 12-05-2025. A tradução é do Cepat.

“A alimentação é o fator mais transversal e existencial da vida no planeta”, afirma o engenheiro agrônomo da Universidade Nacional do Sul e ex-técnico do INTA. E em seu livro promove o conceito de “organização glocal”, em que pessoas e comunidades se estabelecem perto de onde os alimentos são produzidos, em vez de ocupar os subúrbios das grandes cidades.

Em diálogo com Tiempo Rural, o pesquisador de Desenvolvimento Rural e Sustentabilidade destacou que o atual modelo de produção econômica concentrado e global acelera o colapso ambiental e a polarização social, dando origem ao autoritarismo. E abordou a necessidade de promover a agricultura regenerativa e o empoderamento de comunidades com unidades de produção sustentável.

Eis a entrevista.

Por que a agricultura deve ser voltada para a produção local e em pequena escala de alimentos?

As unidades produtivas pequenas e médias são as únicas com potencial sustentável (devido à sua escala) e também facilitam a descentralização e a desconcentração. Nessa linha, é necessário transferir o poder hierárquico para as comunidades locais e autônomas.

Quais são os benefícios dessa transição?

Antes de tudo, retornaríamos ao “lugar” como espaço de enraizamento e de uma saudável relação conosco, com os outros e com a natureza. Além disso, aproximaríamos a produção ao consumo, promovendo um desenvolvimento horizontal e ascendente, frente à expansão das grandes cidades, e a conurbação, e o atual modelo de agronegócio, que é uma síntese da mercantilização dos alimentos, um modelo agroindustrial, não sustentável, que só contribui para a insegurança alimentar e ambiental.

O que é a agricultura regenerativa e como ela se relaciona com a sustentabilidade?

A chamada agricultura regenerativa é um passo a mais nas boas práticas agrícolas, com a finalidade de melhorar o ambiente e a segurança dos alimentos. A sustentabilidade é um conceito sistêmico que engloba não só o ambiental, mas também o econômico e o social. Hoje, os grandes interesses corporativos não falam de sistemas, mas, sim, de cadeias ou modelos produtivos e misturam - não ingenuamente - sustentabilidade com ambiente. Este último é uma falácia porque omite, entre outras coisas, o componente social que inclui a equidade intra e intergeracional.

Qual é a mensagem que você busca com o seu livro?

O livro é o amadurecimento de um longo processo de experiências e evolução pessoal, a partir de várias vertentes curriculares. Meu objetivo é contribuir para estabelecer novas agendas e ressignificar o conceito de “glocal”, introduzindo nesta relação (global-local) a sustentabilidade, que não seria mais uma opção, mas uma escolha de vida.

No que você está trabalhando agora?

Agora, estou trabalhando em um aprofundamento dessa ideia, tanto no diagnóstico quanto nas estratégias de transição. Penso que o aspecto cultural será decisivo para superar dicotomias e gerar uma mudança em direção a uma maior democraciasustentabilidade.

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