Quando o crime organizado reivindica o poder

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10 Setembro 2024

"O salto triplo carpado da riqueza de um sujeito com esta biografia só se explica se suas empresas integrarem um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado", destaca César Benjamin, em comentário publicado em sua página do Facebook, 05-09-2024.

César Benjamin é cientista político, editor e político brasileiro. Durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), participou da luta armada contra o regime, foi perseguido e exilado. Cofundador do Partido dos Trabalhadores - PT, foi também filiado ao Partido Socialismo e Liberdade - PSOL, tendo se desligado dos dois partidos. Atualmente, César Benjamin é o editor da Contraponto Editora.

Eis o texto.

Não estou acompanhando a campanha eleitoral, muito menos em São Paulo, mas é claro que já ouvi falar nesse Marçal. Vi um trecho do Roda Viva em que ele foi entrevistado. Disse que nasceu em família pobre e com mais de 20 anos de idade ainda era operador terceirizado de telemarketing, um trabalho sem qualificação. Hoje, com 37 anos, apresenta-se como milionário. Tem dezenas de empresas, nas mais diversas áreas.

 

Nesse meio-tempo, foi condenado por participar de uma quadrilha que roubava dinheiro de contas bancárias, usando a internet, e sua assessoria partidária está repleta de pessoas suspeitas de ligação com o PCC. Suas áreas de atuação empresarial coincidem com as principais rotas da cocaína em território brasileiro.

Sejamos francos: o salto triplo carpado da riqueza de um sujeito com esta biografia só se explica se suas empresas integrarem um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado. O crime graúdo precisa controlar empresas com atuação legal para poder movimentar, pelo sistema financeiro, os recursos obtidos ilicitamente. Milhões de reais não viajam em caminhões.

Há inúmeras dimensões presentes nessa candidatura esdrúxula. Não tenho tempo de explorá-las aqui, e nem teria competência para fazê-lo. Basta dizer que estamos às vésperas de um dramático aprofundamento na degradação da vida institucional brasileira: grupos criminosos, que até aqui financiam e apoiam políticos, passam a se apresentar de cara lavada, sem intermediários, reivindicando o controle direto do terceiro maior orçamento público do Brasil.

O crescimento dessa proposta na maior e mais rica cidade do país mostra como é profunda a anomia da sociedade brasileira e como a economia do crime se tornou capilarizada. Não é um problema apenas de São Paulo, é nacional. O que está acontecendo na capital paulista já é norma há muito tempo em municípios e estados menos desenvolvidos e menos visíveis.

A vida partidária – aí incluídos os partidos de esquerda – é apenas uma brincadeira de lúmpens. Não faz nem cosquinha na gravidade da crise brasileira.

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