Em Manaus, seminário expõe dramática situação das águas

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17 Novembro 2023

"O 1º Seminário do Fórum das Águas ecoou um grito de indignação contra as agressões causadas aos homens e mulheres, ao meio ambiente e ao planeta. Agressões históricas resultados de uma mentalidade individualista, que ignoram as inter-relações e interdependências entre as espécies do ecossistema", escreve Sandoval Alves Rocha.

Sandoval Alves Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-Rio, mestre em Ciências Sociais pela Unisinos/RS, bacharel em Teologia e bacharel em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE, MG), membro da Companhia de Jesus (jesuíta), trabalha no Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), em Manaus.

Eis o artigo. 

O 1º Seminário do Fórum das Águas, que ocorreu no Centro Pastoral da Arquidiocese de Manaus (CEFAM), no dia 31 de outubro, teve a participação de diversas organizações da sociedade civil preocupadas com a degradação das águas na capital e no interior. O evento mostrou que os direitos humanos à água e ao saneamento, assim como o direito das águas, são violados todos os dia em Manaus e em toda a região amazônica.

Através de performances místicas, apresentações teatrais, palestras e depoimentos de lideranças comunitárias, o Fórum das Águas denunciou a má gestão dos recursos hídricos na capital amazonense, alertando que a crise hídrica e socioambiental atualmente experimentadas podem se agravar ainda mais em virtude das mudanças climáticas provocadas pela desastrosa intervenção humana sobre a natureza. A falta de consciência ambiental, a exploração econômica predatória dos recursos naturais e o abandono das funções socioambientais do Estado estão entre as principais causadoras dessa situação.

Depoimentos e pesquisas apresentadas no evento mostraram que os igarapés de Manaus e os rios que banham a cidade são diuturnamente agredidos pelo lançamento de resíduos, esgotos, aterramentos e o desmatamento das matas ciliares. Informações veiculadas nos principais meios de comunicações também afirmam que a falta dos serviços de esgotamento sanitário tem contribuído significativamente para a destruição dos corpos d’água em Manaus. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente tem manifestado preocupação com o baixo desempenho da concessionária Águas de Manaus, que deveria realizar o tratamento de esgoto no município manauense.

Os Movimentos de Mulheres se destacaram no Seminário ao denunciarem que a concessão privada dos sistemas de água e esgoto oferecem serviços precários às populações mais pobres da cidade, impactando de forma especial as mulheres, que necessitam desses serviços na realização dos afazes domésticos. Há 23 anos, os coletivos feministas se opuseram ao processo de privatização desses serviços, pois sabiam por experiências de outras cidades, que a iniciativa privada prioriza o retorno econômico em detrimento das necessidades das populações, ignorando o cuidado das águas da região.

Apesar de viver no cotidiano a precariedade dos serviços de água e esgoto ou a sua total ausência em muitos lugares, a população amazonense aprofunda ainda mais o seu sofrimento com a atual seca que afeta a região. A estiagem que abate o território também mostra a irresponsabilidade dos poderes públicos, que deveriam implantar planos e políticas de prevenção, uma vez que tais fenômenos já foram previstos por estudos científicos. Na construção desse cenário caótico, portanto, os poderes públicos e privados se convergem.

O baixo desempenho da empresa de água e esgoto em Manaus é confirmado por dados fornecidos ao Fórum das Águas pela Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). Segundo a CDC/ALEAM, as concessionárias Amazonas Energia e Águas de Manaus foram as empresas mais reclamadas durante o 1º Semestre do ano de 2023. Tais informações corroboram as críticas do Seminário à má gestão dos recursos hídricos, caracterizando uma evidente violação dos direitos à água e das águas.

O 1º Seminário do Fórum das Águas ecoou um grito de indignação contra as agressões causadas aos homens e mulheres, ao meio ambiente e ao planeta. Agressões históricas resultados de uma mentalidade individualista, que ignoram as inter-relações e interdependências entre as espécies do ecossistema. Agressões produzidas por um modus operandi economicista, que só enxerga possibilidades de lucros, reduzindo todas as coisas à mercadoria, ignorando a beleza da vida que se faz presente através de múltiplas formas neste território amazônico.

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