Menstruação higiênica e segura é assunto de saúde pública, defendem mulheres em encontro da ONU

Foto: Natracare | Unsplash

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19 Julho 2022

 

Meninas e mulheres devem ter o direito a uma menstruação higiênica, segura e digna defenderam painelistas durante debate do tema na 50ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, realizado de 13 de junho a 8 de julho no Palácio das Nações, em Genebra. Trata-se de um tema de saúde pública e de desenvolvimento, afirmaram.

 

   

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

 

Embora a menstruação seja um processo biológico normal para a maioria das mulheres e meninas, uma boa parcela, estimada em 500 milhões, sofre discriminação e humilhação por causa dessa manifestação do corpo, afirmou a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (Unfpa), a pediatra Natalia Kanem.

 

Tabus e estereótipos estigmatizam o período como sujo. Muitas pessoas veem a menstruação como vergonha e não têm acesso a recursos para passar o período de forma saudável e segura, explicou. Essas meninas e mulheres geralmente não podem comprar absorventes, não têm acesso a banheiros limpos e privados.

 

Menstruar é “uma bênção e uma maldição”, comparou Vanessa Zammar, cofundadora do coletivo feminista Jeyetna, do Líbano. O coletivo fornece informações, produtos e um espaço de diálogo para mulheres que sofrem de pobreza menstrual.

 

A simples falta de informação pode provocar traumas inimagináveis e sofrimentos emocionais para meninas que passam pela menarca – a primeira menstruação – sem saber o que está acontecendo com o corpo delas.

 

O presidente da ONG Wash United, Thorsten Kiefer, relatou o caso de uma menina indiana que, no caminho da escola menstruou, voltou apavorada para casa com o sangue escorrendo pelas pernas achando que estava com câncer.

 

Uma africana de 12 anos de idade teve medo de contar aos pais que menstruara porque na cultura deles quando a menina menstrua ela está apta para casar. A menarca pode causar várias violações de direitos humanos, incluindo o casamento infantil, violência sexual, gravidez indesejada na adolescência e interrupção ou fim da educação escolar.

 

O grupo, informa o portal ONU News, quer ampliar essa discussão do gerenciamento da dignidade menstrual como um direito humano.

 

O Conselho de Direitos Humanos é um órgão intergovernamental dentro do sistema das Nações Unidas, composto por 47 Estados, entre eles o Brasil, que são responsáveis pela promoção e proteção dos direitos humanos. Ele foi criado pela Assembleia das Nações Unidas em 15 de março de 2006.

 

No Brasil, mais de 4 milhões de meninas entre 10 e 19 anos de idade não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. A população nesta faixa etária é de 15,5 milhões de adolescentes, levantou pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O documento também constatou que 200 mil meninas não têm condições mínimas para cuidar da menstruação no ambiente escolar e 713 vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em casa.

 

O levantamento, informa matéria da CNN Brasil, levou em consideração itens como saneamento, banheiro, papel higiênico, absorvente, água, coleta de lixo. Das meninas que responderam à pesquisa, 62% deixaram de ir à escola ou algum outro lugar por causa da menstruação, e 73% se sentiram constrangidas nesses locais.

 

Entre a menarca e a menopausa uma mulher menstrua, em média, 400 a 500 vezes durante a vida.

 

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