Bispos japoneses e coreanos: não joguem as águas de Fukushima no mar

Foto: Nuclear Regulatory Commission | Flickr CC

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Fevereiro 2021

Das comissões de Justiça e Paz e Meio Ambiente das duas conferências episcopais, uma carta ao primeiro-ministro japonês Suga sobre a água de resfriamento armazenada no local do desastre nuclear em 2011, que Tóquio gostaria de despejar no oceano: "Temos uma responsabilidade para as gerações futuras".

A reportagem é publicada por Asia News, 11-02-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

As Conferências Episcopais do Japão e da Coreia do Sul se posicionaram contra a hipótese do governo japonês de despejar 1 milhão de toneladas de água de resfriamento armazenada em imensos tanques ao redor da usina nuclear de Fukushima, a usina gravemente danificada pelo incidente de 11 de março de 2011. Em uma carta dirigida ao primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga, os presidentes das Comissões de Justiça e Paz e Meio Ambiente dos bispos dos dois países expressaram sua oposição ao "despejo no oceano de águas contendo trítio radioativo, mesmo após a filtragem realizada na central nuclear gerida pela Tokyo Electric Power Company".

A gestão da água de resfriamento é um dos problemas ainda em aberto 10 anos após o acidente nuclear de Fukushima. Enquanto se aguarda a desmontagem dos reatores, que avança lentamente devido aos elevados níveis de radioatividade ainda presentes no interior da usina, a área envolvida na crise é mantida sob controle com o despejo contínuo de nova água. Até o momento, para evitar qualquer risco de contaminação, a água foi armazenada em um complexo sistema de tanques. Todos os dias, no entanto, 100 toneladas adicionais são introduzidas e espera-se que a capacidade se esgote em meados de 2022. Por este motivo, o governo japonês manifestou a intenção de descarregar essas águas no mar, argumentando que, após a filtração a que estão submetidas, os resíduos de trítio já não constituem um perigo.

Uma tese que os bispos do Japão e da Coreia contestam em sua carta, citando estudos segundo os quais resíduos de lítio podem causar mortes fetais, leucemia e síndrome de Down. Acrescentam que as garantias oferecidas pelas autoridades japonesas sobre as baixas concentrações da substância radioativa se baseariam em testes ainda incompletos. Também criticam o fato de nada ter sido dito sobre os possíveis efeitos de longo prazo sobre o ambiente marinho, aspecto que preocupa muito os pescadores em todo o trecho de mar entre o Japão e a Coreia. Diante de tudo isso, as duas Conferências Episcopais pedem que sejam examinadas outras opções além da descarga no oceano para a gestão da água de resfriamento.

“Temos a responsabilidade de entregar às gerações futuras um ambiente em que possam viver verdadeiramente com segurança”, escrevem os bispos na carta, citando a encíclica Laudato Sì do Papa Francisco. “Num mundo que nos foi entregue, não podemos mais olhar a realidade apenas em termos utilitários, orientando a eficiência e a produtividade apenas para o nosso lucro individual. A solidariedade entre gerações não é opcional, mas sim uma questão elementar de justiça”.

Leia mais