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10 Setembro 2020

Quase todas as coisas que aconteceram na vida de Liliana Segre não têm vocabulário para poder descrevê-las. Pode-se gaguejar mais ou menos a casca, mas não a substância amarga e triste. Como se pode contar o gosto das lágrimas e a sensação de lama que chega até os joelhos e de Janine sendo conduzida para a câmara de gás enquanto você nem mesmo se vira para olhá-la e está feliz em seu coração por ter se safado mais uma vez?

O comentário é de Tonio Dell'Ollio, presidente da Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 09-09-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Comemorando com ela seus inesperados noventa anos (10 de setembro de 1930), penso na história do corredor San Vittore cruzado pela última vez antes de chegar à linha 21 e ao trem lacrado para Auschwitz.

Os criminosos que estavam trancados naquelas celas, à passagem daqueles reclusos "culpados de ter nascido", diziam: "Para onde vos levam?", "Não fizeste nada!", "Gostamos de vocês!", "Coragem!" , "Nós vos amamos!", E jogavam pedaços de pão e sobras de comida. O único sinal de consciência, naquela época que transbordava de ódio e indiferença.

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