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19 Março 2019

Para os jovens entre 15 e 25 anos a proteção do planeta está em primeiro lugar. É uma geração "global". Apesar de ter crescido em um contexto "no-global". Que compartilhou um discurso de crítica à "globalização", aos poderes e condicionamentos que se desenvolvem em escala global.

Essa geração "no-global" afirmou-se hoje em uma perspectiva "global". E na última sexta-feira, 15 de março, os jovens - em primeiro lugar os estudantes - foram às ruas. Em quase 2 mil cidades do mundo e mais de 200 na Itália. Frequentam o ensino superior, a universidade. Nos últimos dias eles se manifestaram contra a deterioração do clima, seguindo o exemplo de Greta Thunberg, uma jovem ativista sueca. Um problema sentido por muitos, como confirmado pelo Relatório Europeu sobre a Segurança, editado pela Demos - Fundação Unipolis. De fato, no levantamento mais recente, as questões "ambientais" estão entre as que mais preocupam, como declaram 60% dos italianos (entrevistados). No entanto, o primeiro motivo de preocupação continua sendo o "futuro dos jovens".

O comentário é de Ilvo Diamanti, sociólogo, politólogo e ensaísta italiano, publicada por La Repubblica, 18-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

De fato, quase dois terços da população pensam que "no futuro, os jovens terão uma posição social e econômica pior do que seus pais". Por outro lado, os jovens tornaram-se agora uma "espécie rara". E enquanto a inquietação em relação aos migrantes "estrangeiros" está crescendo, "nossos" migrantes também estão crescendo.

Os italianos. Em particular, os mais novos. Os mais instruídos e preparados. Que partem. Para estudar, mas também para desenvolver atividades qualificadas. Em outros lugares. E nem sempre voltam; aliás, voltam cada vez menos, porque na Itália, e não a partir de hoje, as políticas para os jovens, os investimentos na escola e na pesquisa, são inadequados. Para usar um eufemismo. É por isso que os mais jovens dos millennials e pós-millennials, nascidos por volta de 2000, são uma geração "global". Por necessidade e por vocação. Porque olham para "frente". Além das fronteiras geográficas e temporais. Conforme confirma, mais uma vez, uma pesquisa da Demos (dezembro de 2018).

De fato, se quase 48% da população considera "o futuro incerto e cheio de riscos", entre os mais jovens (15-24 anos) essa percepção se reduz pela metade. A maioria deles (mais de 50%) pensa, ao contrário, que o país deveria "abrir-se para o mundo", enquanto a grande maioria da população gostaria que "as fronteiras fossem mais controladas". Em suma, os jovens, especialmente os "mais jovens" (de) mostram "menos medo" e "menos medos" do que seus pais. Mesmo que manifestem a mesma des-confiança em relação aos outros que se observa entre os adultos. E talvez até um pouco mais. A esse respeito, pesa o costume digital.

O tempo gasto na comunicação nas redes sociais e na rede. Uma prática que desenvolve relações sem empatia. Porque quando nos movemos on-line, na rede, estamos sempre com os outros. Mas sempre sozinhos. Nós, diante do PC, do tablet, do smartphone. Mesmo quando caminhamos na rua. Os olhos fixos no nosso celular. Como se nada e ninguém existisse. À nossa volta as "manifestações", como aquelas dos últimos dias, constituem, assim, uma maneira de "manifestar” de maneira "pública" nossos sentimentos, nossas ideias. Mas, ao mesmo tempo, oferecem uma espécie de terapia contra a solidão, contra a insegurança. Porque manifestar significa com-partilhar valores e objetivos. Preocupações e problemas. Ficar junto com os "outros". Os quais, dessa maneira, se tornam "parte" do nosso mundo, da nossa vida. Assim, "participar" ajuda a se sentir "com" os outros. Em torno a essas questões com-partilhadas.

Que, portanto, "não dividem", mas "re-unem". A geração dos pós-millennials junto com os "mais” jovens entre os millennials. Em apoio a uma reivindicação importante. A mais importante, para jovens, para os estudantes.

De fato, a proteção ambiental constitui uma prioridade, em comparação com o desenvolvimento econômico, para os dois terços dos italianos em geral. Mas para 83% entre os jovens entre 15 e 25 anos. E, na mesma medida, entre os estudantes, a categoria muito mais "sensível” à emergência climática.

Os jovens e os estudantes, os estudantes enquanto jovens: formam a base das mobilizações a que temos assistido. É provável que tais manifestações sejam repropostas, em um futuro próximo. Porque essas iniciativas contribuem não só para denunciar uma emergência, mas para formar uma identidade social, uma consciência comum. Para transformar um setor social definido, baseado na idade e na atividade - dos estudantes - em uma "geração", isto é, uma "comunidade", que resume uma experiência "comum" e interpreta sentimentos "comuns". Projetados além de qualquer fronteira.

Os jovens, hoje, são uma geração "global". Por experiência: porque se acostumou com o mundo. E por projeção: porque quer mudar esse mundo. E isso já aconteceu antes, no passado. Muitos de nós se lembram disso, esperamos que aconteça de novo, que esta geração contribua para mudar o "clima de opinião" em favor do clima "ambiental".

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