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22 Junho 2016

Uma das características da Laudato si' é o fato de não se pôr em retirada ou na retaguarda, mas de ser reconhecida também fora dos ambientes católicos como uma das posições mais avançadas.

A opinião é do teólogo italiano Christian Albini, leigo casado, coordenador do Centro de Espiritualidade da diocese de Crema, na Itália, e sócio-fundador da Associação Viandanti.

O artigo foi publicado no seu blog Sperare per Tutti, 18-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No dia 18, a Laudato si' completa um ano, um documento da Igreja Católica que teve uma rara repercussão internacional e constitui uma das etapas importantes do pontificado de Francisco.

Parece-me oportuno recapitular, ao menos, as três motivações principais que tornam esse texto merecedor de ser discutido e aprofundado, já que o seu valor não só é episódico.

1) Ele assume, dentro de uma leitura de fé, algumas questões e dados importantes de um debate público que não é religioso ou, ao menos, não é apenas isso. É raro que, como ocorreu com a Laudato si', um documento eclesial se torne um ponto de referência de importância primordial para uma questão desse tipo. Uma das características da Laudato si' é o fato de não se pôr em retirada ou na retaguarda, mas de ser reconhecida também fora dos ambientes católicos como uma das posições mais avançadas (penso nas palavras usadas por um pensador seguramente laico como Edgar Morin).

2) A ecologia integral da Laudato si' – que conjuga a escuta do grito da Terra e dos pobres, dimensões ambientais e humanas – se concentra em uma categoria, a de conexão ou de relação (como eu prefiro dizer), que abre a uma nova compreensão (um verdadeiro paradigma) em todos os campos da teologia para poder fazer o Evangelho falar hoje: teologia trinitária, fundamental, cristologia, antropologia, ética... O fato de que um documento magisterial a empregue como conceito basilar tem um grande valor também em perspectiva. Ouviremos falar muito disso também no futuro.
 
3) Outro aspecto importante é o de assumir, dentro um discurso religioso que tem um porte público, dados e argumentos do debate científico. Certamente, eles não assumem uma conotação dogmática, mas é importante o fato de não construir um discurso cristão isolado em relação à "conversa" e ao saber do próprio tempo. Uma correlação é necessária, para não se fechar nos recintos da ideologia e do sectarismo.