Com acordo, Europa começa a devolver migrantes à Turquia

Mais Lidos

  • O que Abraão pode nos ensinar sobre discernir a vontade de Deus? Artigo de Maura Aranguren

    LER MAIS
  • Os nazistas voltaram, os comunistas morreram, a humanidade fracassou. Artigo de Alexandre Francisco

    LER MAIS
  • “O caso Master e a crise do Supremo convergem para uma questão republicana fundamental: saber se as instituições brasileiras dispõem de mecanismos suficientemente transparentes e impessoais para impedir que poder econômico, influência política e autoridade institucional se convertam reciprocamente em contraventores ou fautores de ilicitudes”, diz o jurista

    Convulsão intestina no STF: “É uma crise acerca da qualidade republicana do Estado brasileiro”. Entrevista especial com José Geraldo de Sousa Junior

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

04 Abril 2016

Sob protestos de refugiados e da ONU, a Europa começa hoje a deportar migrantes, com a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia e a Turquia. As operações, segundo a ONU, poderão resultar em caos e violência.

A reportagem é de Jamil Chade, publicada por O Estado de S. Paulo, em 04-04-2016.

Atualmente, 52 mil migrantes estão na Grécia, aguardando para serem reassentados pela Europa. Mas, a partir de hoje, centenas deles vão começar a ser levados das ilhas gregas de Chios e Lesbos de volta para os portos turcos. A polícia local acredita que cerca de 500 pessoas serão enviadas hoje para o lado turco, desembarcando no porto de Dikili, e 250 serão enviadas por dia nessa semana.

Diante da perspectiva da deportação, o número de pedidos de asilo aumentou nos últimos dias. Ontem, muitos dos refugiados resgatados pela guarda costeira em Lesbos não sabiam que seriam deportados.

Desde a assinatura do acordo entre Turquia e UE, 6 mil pessoas desembarcaram nas ilhas gregas. Quem não conseguiu pedir asilo ou teve a solicitação recusada será enviado de volta. Por cada refugiado sírio devolvido, outro será retirado de um campo de acolhimento turco e reassentado na UE. No total, o acordo prevê 72 mil lugares.

Os reassentamentos ocorrerão na Alemanha, Finlândia e Holanda. O representante da ONU para migrações, Peter Sutherland, denunciou no fim de semana o fato de que “deportações coletivas” serão declaradas ilegais se os pedidos de asilo não forem antes avaliados.

A Anistia Internacional alertou que os sírios devolvidos correm o risco de serem deportados de volta para seu país.

A tensão na fronteira greco-macedônia aumentou nesta segunda-feira, 29, após a polícia macedônia utilizar gás lacrimogêneo contra centenas de migrantes que tentavam forçar a cerca fronteiriça para protestar contra o fechamento das fronteiras, uma questão que divide a União Europeia.

Despreparo. Fontes da ONU nas ilhas gregas confirmaram ao Estado por telefone que prevalecia a incerteza sobre como a operação vai ocorrer e como o acordo será implementado.

Autoridades turcas informaram que os sírios deportados seriam colocados em dois acampamentos ou poderiam se reunir com suas famílias, caso elas estejam na Turquia. Outros migrantes iriam para dois centros de acolhimento.

Oficiais da ONU disseram, no entanto, ter encontrado apenas duas tendas montadas no porto turco de Dikili, com dois banheiros.

Para a ONU, a falta de informação e de pessoas para lidar com o processo causa nervosismo entre os refugiados. Na sexta-feira, na ilha de Chios, centenas de migrantes detidos romperam grades e arames farpados do centro de estrangeiros e escaparam, temendo uma deportação iminente.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados alerta para a falta de comida e denuncia a detenção de crianças e mulheres grávidas.