Autoridades francesas iniciam desmantelamento parcial da "Selva" de Calais

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

01 Março 2016

A polícia fez um pré-aviso aos habitantes do campo antes de começar a destruí-lo. Mais de três mil pessoas, incluindo crianças, serão afetadas por esta decisão.

A reportagem é de Pedro Reis, publicada por Público, 29-02-2016.

Dezenas de polícias iniciaram, esta manhã, o desmantelamento parcial do campo de refugiados em Calais, no Norte de França. As operações na zona sul da chamada “Selva” de Calais começaram depois de a justiça francesa dar luz verde à demolição.

Há registo de confrontos entre polícia, migrantes e ativistas. Segundo informações avançadas pela agência Reuters, a polícia lançou gás lacrimogénio contra cerca de 150 migrantes e ativistas que estavam a atirar pedras. Três abrigos improvisados foram incendiados e um ativista britânico foi detido.

Várias ONGs informaram o jornal The Guardian de que a polícia fez um pré-aviso aos residentes do campo, que teriam uma hora para o abandonar. Caso não o fizessem, seriam detidos. “As pessoas foram informadas de que tinham de sair, caso contrário seriam presas. Muita gente estava confusa. Estavam saindo com os seus sacos-cama, não sei para onde estariam a ir”, afirmou uma porta-voz da organização britânica Help Refugees.

Na quinta-feira, o Tribunal de Lille confirmou uma ordem do Governo francês para expulsar os migrantes que vivem na parte sul do acampamento de Calais, embora algumas infra-estruturas sociais improvisadas - como escolas ou teatros - devam permanecer intactas. 

As autoridades francesas afirmaram no início do mês que pretendiam desmantelar parte da "Selva" de Calais, avisando que entre 800 e mil migrantes teriam que abandonar o campo. O ministro do Interior Francês, Bernard Cazeneuve, afirmou na semana passada que as autoridades francesas iriam trabalhar em conjunto com organizações humanitárias para recolocar os migrantes em contentores ou em outros centros de acolhimento em França.

Apesar disso, o número de migrantes afetados pelo desmantelamento da parte sul da “Selva” de Calais poderá ser muito maior do que aquele que é estipulado pelas autoridades francesas. Várias ONGs estimam que o número real corresponda a cerca de 3,400 pessoas, onde se contam 445 crianças, 305 delas desacompanhadas, números obtidos pelo The Guardian.

Os habitantes da “Selva” de Calais vêm sobretudo de países em conflito no Médio Oriente, como a Síria, Iraque ou Afeganistão, assim como de países africanos como a Eritreia ou o Sudão. Grande parte destas pessoas tem como objetivo atravessar o Canal da Mancha e chegar a Inglaterra, muitas vezes através de traficantes que lhes permitem entrar no país ilegalmente.

A decisão de desmantelar parte da “Selva” de Calais levou a Bélgica a restabelecer o controle das suas fronteiras, com receio de que um grande fluxo migratório se possa dirigir para o porto belga de Zeebrugge.