Vigário Apostólico de Aleppo: "Os turcos querem combater os curdos com a desculpa do Isis"

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Julho 2015

"As pessoas temem que os turcos queiram combater os curdos com a desculpa do Isis", disse o vigário apostólico de Aleppo dos latinos, Dom Georges Abou Khazen, em uma entrevista ao TG2000, o telejornal do canal italiano TV2000, comentando as operações militares que a Turquia está executando contra o Isis na Síria e contra os curdos do PKK no Iraque.

A reportagem é do sítio do canal italiano TV2000, 28-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Se é uma luta contra o Isis, tudo bem – acrescentou Dom Khazen –, mas, se é uma desculpa da Turquia para criar uma zona independente da Síria, então torna-se um pouco perigoso. Se é uma desculpa para combater os curdos e aumentar a confusão e a violência, então não é um sinal positivo. Sabemos muito bem que a Turquia permitiu que o Isis entrasse, se armasse e obtivesse o seu treinamento."

Dom Khazen reitera que "todos nós somos contra a civilização da morte e da destruição", mas "muitos muçulmanos moderados que são contra o Isis também se alistam para combater essa praga. Lamento que os holofotes foram colocados sobre alguns cristãos que se aliaram com os curdos contra o Isis. Isso faz aumentar o ódio contra os cristãos. É natural que, em uma guerra, as pessoas se defendam. Há pessoas que são obrigadas a prestar o serviço militar".

"É natural que as pessoas se defendam – concluiu o vigário de Aleppo –, há cidadãos aos quais dizem: 'Em vez de ir apoiar Damasco, permaneçam nas suas cidades e defendam-nos'."

Petróleo e achados arqueológicos

"O Isis é um instrumento nas mãos das grandes potências. Foram criados, armados e apoiados por elas. Em vez de combatê-los in loco, compram deles o petróleo e os achados arqueológicos roubados nessas terras", continuou Dom Georges Abou.

"Sabemos muito bem quem está comprando essas coisas do Isis", acrescentou Dom Khazen. "Não é preciso dar as armas aos homens do Isis e não se deve treiná-los. Nos países limítrofes da Síria, incluindo a Turquia, há alguns verdadeiros campos de treinamento."

"Os homens do Isis – acrescentou o vigário de Aleppo – tomaram as zonas onde há petróleo, começaram a vender a 10 dólares o barril e agora a 30 dólares. E quem está comprando petróleo e achados arqueológicos? Certamente não são os somalis ou os da Mauritânia."

Dom Khazen também salientou que "não são só as companhias ocidentais que traficam com o Isis. E quem perde a vida é essa pobre gente. Nós, na Síria, temos 23 grupos étnico-religiosos diferentes que constituíam um belo mosaico. E agora o que estamos nos tornando? E vêm nos falar de direitos humanos..."