Que elegantes. Júlia Hansen na oração inter-religiosa desta semana

Foto: Gabriel Rezende Faria | Embrapa

25 Fevereiro 2022

 

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora.

 

Que elegantes

 

Que elegantes!

Os animais.

Ah! deixar-se

pelos músculos. Viver

discreta entre as sombras.

Não se preocupar com folhagens

riscando, raspando, umedecendo

e rosnando levar a vida! Descansar.

Entretanto eu aqui a entender

que não se conhece natureza

que nunca há paisagem

e é com isso que lentamente

nos pomos a acender

a brasa lenta desfazemos

em cinzas essa cultura.

Quer dizer, ter pela cintura

plumas, ser pela ampla

ampliação dos rios com várzeas.

Cobrir de penachos os “achos”

ao abrir das estrelas

cantar, gritar, trinar

febris (tão meus) compassos.

Não dizer nada

nem saber dançar.

Esquecer, esquecer – lembrar.

 

Fonte: Júlia de Carvalho Hansen. Seiva, veneno ou fruto. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2016, p. 17.

 

Júlia de Carvalho Hansen (Foto: Divulgação)

Júlia de Carvalho Hansen (1984): É uma poeta, astróloga e editora paulistana. É graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa. É autora de livros publicados no Brasil e em Portugal, entre eles, Cantos de estima (edição da autora, 2009 e Douda Correria, 2015); O túnel e o acordeom (Não Edições, 2013); Alforria blues ou Poemas do Destino do Mar (2013) e Seiva veneno ou fruto (2016), estes dois pela Chão da Feira – iniciativa editorial que realiza em parceria com outras editoras mulheres.

 

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