Uma "revolução ignorada"

Fonte: Religión Digital

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25 Junho 2021

 

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Marcos 5,21-43, que corresponde ao 13° domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

 

Eis o texto.

 

Jesus adotou perante as mulheres uma atitude tão surpreendente que confundiu até os seus próprios discípulos. Naquela sociedade judaica dominada por homens, não era fácil compreender a nova postura de Jesus, acolhendo sem discriminação homens e mulheres na sua comunidade de seguidores. Se algo se depreende com clareza da sua atuação, é que, para ele, homens e mulheres têm igual dignidade pessoal, sem que a mulher tenha de ser objeto de domínio do homem.

No entanto, os cristãos ainda não fomos capazes de extrair todas as consequências que resultam da atitude do nosso Mestre. O teólogo francês René Laurentin chegou a dizer que esta é “uma revolução ignorada” pela Igreja.

Em geral, os homens continuamos a suspeitar de todo movimento feminista, e reagimos secretamente contra qualquer abordagem que possa pôr em perigo a nossa situação privilegiada sobre a mulher.

Numa Igreja liderada por homens, não fomos capazes de descobrir todo o pecado que se encerra no domínio que os homens exercemos, de muitas formas, sobre as mulheres. E a verdade é que não se escutam desde a hierarquia vozes, que em nome de Cristo, urjam os homens a uma profunda conversão.

Os seguidores de Jesus devemos tomar consciência de que o domínio atual dos homens sobre as mulheres não é “algo natural”, mas um comportamento profundamente viciado pelo egoísmo e pela imposição injusta do nosso poder machista.

É possível superar este domínio masculino? A revolução impulsionada por Jesus não se realizará despertando a agressividade mútua e promovendo uma guerra entre os sexos. Jesus chama a uma conversão que nos faça viver de outra forma as relações que nos unem a homens e mulheres.

As diferenças entre os sexos, para além do seu papel na origem de uma nova vida, devem ser direcionadas para a cooperação, o apoio e o crescimento mútuos. E para isso, nós, homens, devemos ouvir com muito mais lucidez e sinceridade a interpelação daquele a quem, segundo o relato evangélico, ”saiu força” para curar a mulher.

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