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12 Junho 2015

O grão minúsculo transforma-se numa planta robusta. Jesus nos explica que o Reino de Deus pode hoje parecer insignificante, mas vai crescer e se fortalecer. O Reino de Deus vem e já está entre nós; preparemo-nos para ele!

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da Missa da 11º Domingo do Tempo Comum B (14 de junho de 2015). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: «Eu elevo a árvore baixa, faço secar a que está verde e brotar a árvore seca» (Ezequiel 17,22-24)
Salmo: 91(92) - R/ Como é bom agradecermos ao Senhor.
2ª leitura: «Quer estejamos neste corpo quer fora dele, o nosso desejo é agradar ao Senhor» (2 Coríntios 5,6-10)
Evangelho: «É a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, é a maior de todas as hortaliças» (Marcos 4,26-34)

A força do Reino

Algumas parábolas são exigentes e nos interpelam com vigor. No evangelho de hoje, temos parábolas que vêm nos apaziguar. O "Reino dos céus" não é para ser conquistado através de uma luta acerba, nem vir ao mundo ao preço de grandes esforços. O Reino, ou seja, o acesso dos homens à sua humanidade plena, tem nele próprio a sua força, a força mesma da criação. Se podemos comparar o Reino ao nascimento dos vegetais, é porque os próprios vegetais são criados à imagem do Reino: as coisas todas, cada uma à sua maneira, têm semelhança com Deus. Façamos um inventário do que nos revelam estas duas pequenas parábolas que falam sobre o crescimento do Reino.

Quem é o semeador?

Não haveria nem colheita nem árvore, se alguém não tivesse semeado a semente. E quem a semeia? Outras parábolas nos dizem  que é o Filho do Homem, quer dizer, o Cristo. Mas o Cristo semearia a Palavra sem que o soubéssemos? O Evangelho inteiro está aí para dizer o contrário. Além do mais, a Palavra evangélica, a Palavra-semente, já está hoje muito difundida pelos discípulos. O semeador é, portanto, a uma só vez, o Cristo e os crentes. O Cristo semeia através de nós, mas não somos nós que produzimos a semente. Podemos tão somente recebê-la e transmiti-la. O campo, então, está semeado.

No início, quase nada

A segunda parábola insiste na modéstia do começo, no caráter quase imperceptível da semente que dará a grande árvore. É um "quase nada" que contém tudo. É assim em nosso mundo: a palavra dos crentes está como que perdida na cacofonia dos discursos e diversidade de posições. O Evangelho nos faz compreender que não devemos nos inquietar por causa disto: a palavra faz o seu caminho. O Reino, secretamente, vai ganhando todas as suas dimensões e vai ocupando o terreno todo. Irreprimível.

Semear e dormir

O semeador da primeira parábola, em nosso caso, não tem controle nenhum sobre o crescimento da semente. Isto nos ultrapassa e nos escapa. O que quer que façamos, uma vez semeada, a semente realiza o seu trabalho de germinação. O que pode muito bem apaziguar as nossas preocupações com ver ou não ver os resultados e as nossas inquietações a respeito do que ainda poderíamos fazer ou evitar. Com muita frequência, comportamo-nos como se estivéssemos sozinhos neste trabalho, como se Deus não fizesse nada. Ora, com certeza, temos de agir, mas como se Deus é que estivesse fazendo tudo: o que fazemos é obra de Deus, a obra que Deus está fazendo.

Os pássaros do céu

Dois traços podem ainda reter a nossa atenção. O primeiro: o Reino-abrigo da segunda parábola, que é a imagem da convergência de todos os homens para esta árvore que é maior do que todas as outras. Imagem de paz e da fecundidade, o ninho é o lugar do nascimento. E o segundo: as últimas linhas nos dizem por que Jesus fala em parábolas: aqui, ao contrário de outros textos dos Evangelhos, a parábola é apresentada como um procedimento destinado a fazer compreender a Palavra. Há nestas frases o eco da ternura de Deus diante da nossa fraqueza.