Os jesuítas e o Grande Mogol: provas de diálogo com a corte do imperador

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29 Junho 2018

As relações entre cristianismo e Islã são muito mais complexas e articuladas, às vezes surpreendentes, do que comumente se imagina. Uma das páginas mais interessantes e menos conhecidas dessa história diz respeito ao imperador, ou Grande Mogol, Akbar, que reinou na Índia na segunda metade do século XVI.

A reportagem é de Marco Rizzi, publicada em Corriere della Sera, 27-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele era um muçulmano sunita de origem turco-mongol, cuja dinastia tinha raízes no atual Afeganistão, que se encontrava governando uma população em sua grande maioria de religião hindu. Para superar as dificuldades decorrentes do contraste religioso entre os dominadores muçulmanos e os súditos hindus, Akbar se comprometeu com um profundo programa de reforma religiosa, tentando limitar o poder dos ulemás, os doutores da lei corânica, que tradicionalmente exerciam o controle sobre os costumes da população e sobre a ação dos governantes em nome da observância da sharia.

Para alcançar esse resultado, Akbar deu origem a duas instituições, a “casa do culto” e um “escritório para as traduções”, em que os doutos debatiam questões teológicas e filosóficas, e os literatos providenciavam a tradução para o persa, a língua da corte, dos textos hindus, primeiro, e, depois, também os de outras religiões.

É nesse contexto que se enquadra o convite (sobre o qual Youri Martini escreve em Akbar e i Gesuiti. Missionari cristiani alla corte del Gran Moghul, Ed. Il Pozzo di Giacobbe, 180 páginas) que, em 1579, Akbar dirigiu, por meio de um embaixador, aos jesuítas presentes nas possessões portuguesas de Goa, para que lhe enviassem “dois dos vossos homens doutos com os livros da lei e sobretudo com os Evangelhos, porque desejo sinceramente compreender a sua perfeição”.

Assim iniciou uma série de três missões jesuíticas sucessivas realizadas entre prudências diplomáticas e sincero interesse pelas concepções religiosas do Grande Mogol.

Em breve, os padres jesuítas perceberam a impossibilidade de induzi-lo à conversão. No entanto, a presença deles na corte não ficou sem sequência, favorecendo o nascimento de uma literatura cristã em língua persa e a difusão de uma arte figurativa, até então proibida pela iconoclastia corânica.

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