Igualdade de Gênero. Livro-Agenda Latino-americana mundial 2018

Foto: Agenda Latinoamericana

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Outubro 2017

'Enquanto houver pessoas discriminadas por sua condição sexual, a teologia ‘feminista’ da libertação terá sentido. Com o Evangelho na mão, atrevemos a dizer que toda a teologia que justifique a inferiorização da mulher, ou qualquer outra injustiça de gênero, atua como ‘ideologia de gênero', escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia (UFG).

Eis o artigo. 

A página de abertura do “Livro-Agenda latino-americana mundial” lembra-nos sempre: é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as Comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior”.

Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular”.

O “Livro-Agenda latino-americana mundial”, “além de ser para uso pessoal, foi pensado como instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes” (p. 9).

O tema do “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018” é: igualdade de gênero. É um tema que - pela sua premente atualidade - “está nas ruas, em todo o Continente latino-americano (e - podemos dizer - no mundo inteiro), na sociedade civil, na opinião pública e nas Igrejas”. Não é “um assunto de mulheres” (como se pensou por milênios), mas é “um assunto de justiça estrutural e sistêmica, que afeta os Direitos Humanos das mulheres e de muitas pessoas discriminadas por sua condição de gênero ou sexual”.

Abordar o tema é “uma revolução radical e global. É uma revolução pendente e urgente, que queremos ajudar a levar em frente, com tantas mulheres e homens que já levam anos e decênios na luta por esta Utopia”.

Segundo o método “ver-julgar-agir” (“analisar-interpretar-libertar”) - já tão conhecido e praticado na América Latina - “partimos da realidade, esta vez com um ver/recordar, que incorpora a luta histórica das mulheres”.

No julgar/sonhar “tomamos as águas desde muito acima, desde as implicações inclusive filosóficas; recolhemos a história da teologia feminista, a ‘ideologia de gênero’, o debate sobre o sexo forte, as masculinidades, a influência das crenças religiosas, o patriarcado... e categorizamos os direitos das mulheres como Direitos Humanos”.

No agir, “abordamos as Políticas Públicas com enfoque de gênero, a democracia paritária, a necessária incorporação dos homens às tarefas do cuidado, a visão da mulher indígena e da mulher negra, a prática de teologia feminista na história, a criação de observatórios de gênero... e, também este ano, alguns livros digitais disponíveis recomendados, para aprofundar o tema nos níveis indicados, nos grupos, nas Comunidades e no estudo pessoal” (p. 8-9).

As Igrejas “não podem se esquivar à realidade, nem na sociedade e nem em seu próprio interior. Jesus mostrou-se a favor da inclusão de todas as pessoas, e sua Utopia de Justiça, que Ele chamava de Reino, é, para muitos, símbolo da inclusão maior. Há uma hierarquia de verdades e valores, e a Justiça tem precedência sobre qualquer outra consideração filosófica, teológica ou simplesmente tradicional. Enquanto houver pessoas discriminadas por sua condição sexual, a teologia ‘feminista’ da libertação terá sentido. Com o Evangelho na mão, atrevemos a dizer que toda a teologia que justifique a inferiorização da mulher, ou qualquer outra injustiça de gênero, atua como ‘ideologia de gênero’” (p. 11).

Destacamos - como sendo um grande valor - o caráter ecumênico (“ecumenismo de soma” e não “de subtração”) e macroecumênico do “Livro-Agenda latino-americana mundial 2018”.

Por fim, agradecemos “a colaboração ‘sororal’ (é o feminino de ‘fraternal’, não?) de tantas mulheres, feministas militantes, lutadoras convictas, de todo o Continente, que nos ajudaram, não apenas com sua contribuição escrita, mas com sua orientação, seu conselho, e inclusive sua correção... mais que fraterna: sororal”.

É um novo momento histórico! Estejamos à altura! Leiamos todos e todas o “Livro-Agenda latino-americana mundial”! Vale muito a pena”!

Leia mais