Temer cancela jantar após baixa adesão de aliados

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22 Mai 2017

Presidente queria demonstrar força e buscar apoio entre parlamentares da base aliada para tentar evitar debandada e barrar pedidos de renúncia e de impeachment no Congresso. Mas poucos confirmaram presença.


Michel Temer  (Foto: Beto Barata(PR)/ Congresso em Foco)

A reportagem é publicada por Congresso em Foco, 21-05-2017.

O presidente Michel Temer (PMDB) sofreu novo revés político neste domingo (21). A maioria dos parlamentares convidados por ele para jantar no Palácio da Alvorada nesta noite declinou da oferta. A intenção de Temer era reunir aliados para demonstrar força e buscar apoio no Congresso para enfrentar o pior momento de sua carreira política. O convite foi feito pelo ministro Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo. Poucos parlamentares, porém, aceitaram se encontrar com o presidente, que enfrenta um inquérito por corrupção, obstrução da Justiça e participação em organização criminosa, debandada em sua base, pedidos de impeachment e apelos para renunciar ao mandato.

Devido ao baixo quórum, o jantar foi transformado em um encontro informal de aliados. O presidente reuniu-se com alguns de seus ministros mais próximos, como Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Osmar Serraglio (Justiça) e Raul Jungmann (Defesa). Também eram esperados outros auxiliares como Maurício Quintella (Transportes) e Helder Barbalho (Integração Nacional).

A ausência de lideranças e ministros do PSDB e do DEM é um mau sinal para Temer. Os dois partidos discutem deixar a base governista para cobrar a renúncia do presidente e, conforme o caso, até apoiar o impeachment dele. Ontem o PSB decidiu, formalmente, romper com Temer. O Podemos (antigo PTN) e o PPS já haviam tomado a decisão.

Acuado pela divulgação de áudios e dos depoimentos do empresário Joesley Batista, da JBS, Michel Temer tenta ganhar tempo. Seus advogados recorreram ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão do inquérito até que seja feita uma perícia nas gravações entregues por Joesley. O relator, ministro Edson Fachin, determinou a realização do exame pericial no material, mas resolveu submeter ao plenário do Supremo o pedido para suspender a investigação. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, concordou com a perícia, mas opinou contra a interrupção do inquérito.

No pronunciamento que fez nesse sábado, Temer atacou seu delator, a quem acusou de “falastrão” e de “criminoso”, e contestou a autenticidade da gravação que o compromete. 

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