Sínodo de Creta foi importante, mas não foi "pan-ortodoxo", afirma Igreja russa

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27 Julho 2016

O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, na sua entrevista ao jornal La Repubblica, afirma que o Santo e Grande Sínodo de Creta foi um grande sucesso e que estão previstos passos rumo à unidade dos cristãos em um futuro não muito longe. Enquanto isso, a Igreja Russa não é da mesma opinião, de acordo com a solene declaração do seu Santo Sínodo do dia 15 de julho de 2016. Por razão alguma o Sínodo de Creta deve ser considerado como Sínodo pan-ortodoxo, já que ocorreu sem a presença de todas as 14 Igrejas autocéfalas.

A reportagem é de Ioannis Maragos, publicada no sítio Settimana News, 25-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa se ocupou amplamente do Sínodo de Creta e da situação que foi criada com a ausência de quatro Igrejas autocéfalas. O Sínodo russo recorda que, ainda em junho de 2016, com uma carta enviada ao Patriarca Bartolomeu e a todos os primazes das Igrejas ortodoxas autocéfalas, tinha pedido para se levar seriamente em consideração os pedidos das Igrejas autocéfalas de Antioquia, Geórgia, Bulgária e Sérvia de adiar o Sínodo.

O Patriarca Kirill defendia que as divergências entre as Igrejas na fase preparatória não deviam enfraquecer a unidade da Igreja Ortodoxa e era da opinião de considerar a reunião de Creta como uma fase preparatória do Santo e Grande Sínodo, do qual todas as Igrejas participariam em uma data a ser fixada.

Na reunião do dia 15 de julho, o Sínodo russo lamentou o fato de ainda não ter recebido por via oficial os documentos Creta. Ele sabia que alguns Padres sinodais não haviam assinado o documento sobre as relações da Igreja Ortodoxa com o restante do mundo cristão, porque discordavam do seu conteúdo.

O Sínodo da Igreja Russa fez referência a uma declaração da Igreja de Antioquia do dia 27 de junho, segundo a qual os documentos emitidos pelo Sínodo de Creta não comprometiam de modo algum os fiéis ortodoxos, pois não houvera a presença de todos as 14 Igrejas. Tratou-se somente de uma fase preparatória. Portanto, os seus documentos não são definitivos e normativos.

Na declaração da Igreja Russa, também se menciona a tomada de posição da secretaria geral do Sínodo da Igreja búlgara, segundo a qual, na falta do acordo de todas as 14 Igreja autocéfalas, violou-se o princípio da unanimidade e que, consequentemente, os documentos de Creta não devem ser considerados como expressão oficial de todas as Igrejas ortodoxas.

Diz-se, no entanto, que o Sínodo de Creta deve ser considerado como um evento relevante no caminho da unidade, a partir da reunião pan-ortodoxa de Rhodes, em 1961. Uma comissão bíblico-teológica especial examinará os documentos de Creta, assim que chegarem por via oficial. Serão ouvidos os pareceres dos teólogos, dos padres, dos monges e dos leigos.