Groenlândia perde 1 trilhão de toneladas de gelo em 4 anos

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • ​Economista e jesuíta francês ministra videoconferência nesta terça-feira, 28-04-2026, em evento promovido pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com Instituto Humanitas Unisinos – IHU

    Gaël Giraud no IHU: Reabilitar os bens comuns é uma resposta política, social, jurídica e espiritual às crises ecológicas e das democracias

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Julho 2016

Há tempos os cientistas sabem que a Groenlândia passa por um severo processo de degelo, mas um novo estudo, com uso de tecnologias satelitais, foi capaz de quantificar o problema. E o resultado é alarmante: entre 2011 e 2014, a maior ilha do mundo perdeu 1 trilhão de toneladas de gelo. E uma parte considerável aconteceu em apenas cinco glaciares, o que alerta ainda mais os pesquisadores.

A informação é publicada por O Globo, 21-07-2016.

Estudos anteriores sugerem que a Groenlândia perdeu ao menos 9 trilhões de toneladas de gelo no século passado, mas a velocidade do degelo vem aumentando nos últimos anos. A região é considerada chave para os pesquisadores climáticos por causa do seu potencial de contribuição para a elevação dos níveis do mar, calculado em aproximadamente 6 metros, caso todo o gelo derreta. Desde 1990, a ilha contribuiu com 10% de todo o aumento dos níveis do mar.

A nova pesquisa, conduzida por pesquisadores de universidades britânicas e alemãs, foi publicada no início do mês na revista “Geophysical Research Letters“. Ela mostra dados detalhados da superfície da Groenlândia captados pelo satélite CryoSat-2 entre 2011 e 2014. Basicamente, o equipamento utiliza um altímetro, capaz de medir como a altitude da superfície da região aumenta e diminui de acordo com o ganho e perda de gelo.

— De forma simplista, se a camada de gelo está subindo, nós encontramos evidência de que ela está crescendo — explicou Malcolm McMillan, pesquisador da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e líder do estudo, em entrevista ao “Washington Post”. — E onde nós vemos que a superfície está diminuindo, nós descobrimos que a camada de gelo está derretendo.

Outros fatores são considerados, como a diferença entre as densidades da neve e do gelo, entre outras variáveis, que foram configuradas de acordo com modelos climáticos regionais e modelos sobre a cobertura de gelo. Dessa forma, os pesquisadores descobriram que a camada de gelo da Groenlândia perdeu massa na taxa média de 269 bilhões de toneladas entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014. No total, a perda é de aproximadamente 1 trilhão de toneladas de gelo ao longo de quatro anos.

O pior ano foi 2012, quando a perda superou as 400 bilhões de toneladas. No ano seguinte, as perdas foram menores, de pouco mais de 100 bilhões de toneladas. A maior parte do degelo aconteceu na região Sul da ilha, mas parte considerável ocorreu na região Norte, mais fria. Outro dado que chamou atenção foi que 12% do total vem de apenas cinco glaciares, que cobrem menos de 1% de toda a camada de gelo. Esses glaciares avançam sobre o mar, o que indica que o degelo está sendo acelerado pela combinação do aumento das temperaturas do ar e do oceano.

— Não existem estudos que fizeram análises como essa nos últimos anos — disse Edward Hanna, pesquisador da Universidade de Sheffield, que não esteve envolvido no projeto. — É realmente uma tentativa de avaliar a forma como a camada de gelo está respondendo às mudanças climáticas em curso.