Consumismo é maior ameaça à sustentabilidade

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Outubro 2011

Sete bilhões é muito ou pouco? Depende. Fisicamente, cabemos todos no perímetro da Grande São Paulo. Mas basta uma minoria de consumistas modernos -incluindo nós, leitores da Folha- para ameaçar o futuro da humanidade na Terra.

O comentário é de George Martine, doutor em demografia e ecologia pela Universidade Brown, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 30-10-2011.

O crescimento demográfico importa, é óbvio! Mas os números absolutos em si dizem muito pouco, porque o tamanho da pegada ecológica varia enormemente entre sociedades e grupos sociais.

A população é diferenciada não somente por idade, sexo, tamanho, cor, residência e ocupação, mas também por níveis de renda e consumo.

Precisamos de uma demografia da sustentabilidade que trate de qualificar consumidores, e não de contar pessoas equivalentes ou intercambiáveis.

O que assusta mesmo é que o aumento de consumidores é muito mais rápido que o de pessoas. Movido pela cultura do consumo, o nosso modelo de desenvolvimento, eficaz e sedutor, incorpora milhões de novos consumidores anualmente.

Há décadas nossos valores são moldados cada vez mais pelas instituições que promovem essa cultura e esse modelo de desenvolvimento. Comprar coisas nos faz feliz e estimula a produção; pena que esse incremento do consumo implique a destruição de recursos e o acúmulo de dejetos, inclusive dos gases de estufa que trazem as mudanças climáticas.

Contempla-se alterar esse paradigma por meio da economia verde, dentro da qual seria reduzido o desperdício de recursos naturais e a produção de dejetos nocivos. Vai funcionar?

Na melhor das hipóteses, uma mudança radical e imediata nesse sentido poderia reduzir o perigo iminente, mas não se continuarmos definindo o consumo crescente como o caminho da felicidade.

Reduzir o crescimento populacional ajudaria? Pode ajudar, sem dúvida. Mas a solução fácil do "controlismo" engana, pois famílias menores tendem a consumir mais per capita.